Que a realidade não nos destrua...

Todas as artes contribuem para a maior de todas elas: a arte de viver – Bertolt Brecht

Nem dá para acreditar que ficámos literalmente um ano e meio com os teatros, salas de espectáculos, cinemas, galerias de artes e outros espaços de artes fechados. Trancados mesmo. Bafientos. Escuros. Silenciosos. Fantasmagóricos. Autênticos sarcófagos dos nossos desejos, das nossas criações.

Mas – como não há mal que dure para sempre – as portas voltaram a abrir-se. A luz do sol voltou a atravessar as frestas para iluminar os palcos abandonados há mais de 500 dias. Uma lufada de ar fresco atravessou os nossos torturados pulmões e devolveu-nos o gosto pela vida... coisas que o novo coronavírus tentou e continua a tentar tirar-nos.

Um pouco por todo o país, os artistas, nas suas modalidades, voltaram a ocupar os seus lugares. Quase como atletas numa competição, estufaram os peitos e largaram a toda brida para dizerem que estão vivos e que nunca largaram o escopo e o martelo com que dão corpo aos sonhos. É um momento de redescoberta de nós mesmos. Não nos esqueçamos que a cultura diz respeito à humanidade em geral e ao mesmo tempo individualiza cada povo. Existe uma grande variação da cultura se levarmos em consideração as particularidades que existem ou existiam. A realidade de uma cultura local tem a sua lógica interna, costumes, concepções e as transfigurações existentes e é visível de diversas formas. Afinal, como disse Aristóteles, a finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas, não é copiar a sua aparência. Leia mais...

Por Belmiro Adamugy

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