OTAN “oficializa” corrida ao armamento nuclear

Intitulado OTAN 2030: Unidos para uma Nova Era, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) publicou, recentemente, um relatório onde se “compromete” a “manter capacidades militares convencionais e nucleares … para enfrentar a agressão em todo o território da Aliança....”. A intenção é uma recomendação contida no relatório que reafirma o continuado pavor dos membros da OTAN em relação à Rússia. Para além da “eterna rival” Rússia, a aliança transatlântica incluiu também a China na lista dos seus medos geopolíticos. Pela descrição do grau de “medo” que se tem das duas “ameaças” geopolíticas, aquela recomendação pode ser descrita como um apelo à corrida armamentista num contexto que se advoga a diminuição dos arsenais militares, especialmente os nucleares.

O relatório contém Análises e Recomendações do Grupo de Reflexão Nomeado pelo Secretário-Geral da OTAN. Apesar de enumerar um conjunto de ameaças transnacionais contra a Aliança, incluindo terrorismo, pandemias, mudanças climáticas e fluxos migratórios, o grupo de reflexão considera que o maior desafio geopolítico da OTAN é a Rússia. Aliás, o grupo caracteriza o prevalecente ambiente de segurança como sendo de re-emergência da competição geopolítica, isto é, de profusão e escalada de rivalidades e disputas sobre território, recursos e valores entre os Estados. O relatório indica que a rival Rússia é uma potência declinante em termos económicos e sociais, mas considera que ela deve ser temida pela sua capacidade em manter um poderoso e robusto arsenal militar convencional e nuclear que representa uma ameaça aos membros da OTAN.

A outra ameaça geopolítica identificada no relatório é a China. Ao que tudo indica, o aumento do poder do gigante asiático e a assertividade da sua política externa está a criar “ciúmes” no seio dos membros da OTAN. Aliás, diferentemente da Rússia, a China não é vista como uma ameaça militar directa e imediata da aliança transatlântica. No entanto, a crescente agenda estratégica global da China, combinada com o seu poder económico e militar, é vista como indicador que vai tornar o gigante asiático numa grande “dor de cabeça” tal como é a Rússia. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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