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SERÁ FORÇOSO ADIAR CASAMENTO POR CAUSA DA COVID-19?

Novembro 28, 2020 784

A pandemia da covid-19 tem vindo a afectar o mundo inteiro. Logicamente que quem planeava casar não foi poupado. Afectou profundamente muitas apaixonadas, que vinham e vêm acalentando e sonhando (com destaque para as senhoritas) com uma grande festa de casamento, comida, roupa espaventosa e alguma até espalhafatosa, Igreja e salão cheio de flores, e uma pista de dança repleta de convidados dançando! Mas, devido à pandemia, tudo ficou adiado, alegadamente porque não poderão ter essa festa.

Será a festa a base do casamento? Na minha pudibunda opinião, digo que NÃO! Porque não é nenhuma vergonha quando os noivos realmente não têm como fazer uma festa de casamento, mas pretendem unir-se. Um casamento não deve, necessariamente, terminar com uma festa ou junção de muitas pessoas. Modéstia à parte, mas peço permissão para servir do meu próprio exemplo que não tive festa no meu casamento, não por nenhum impedimento, mas por opção pessoal, devido à “alergia, aversão, antipatia, repulsa e por que não idiossincrasia” (este último, temperamento peculiar), que tenho com festas. No próximo mês de Dezembro, que inicia dentro de dois (2) dias, numa certa data que propositadamente olvido, para evitar esquadrinhamentos ou bisbilhotices de curiosos, eu e a filha da minha falecida sogra, por sinal única amiga fiel e minha confidente, se chegarmos com vida completaremos meio século (50 anos) de coexistência mútua e pacífica despida de quaisquer ondas tumultuosas. Qual é o segredo desta sincronia e comunhão? (Tem sido esta a pergunta feita a todos que como nós vivem uma longa vida unidos, sem sobressaltos insanáveis). Se alguém espera uma resposta certa, que tire o cavalinho da chuva, como diz o Zé Povo, porque cada casal é um mundo. No nosso caso concreto, por feliz coincidência, unânime ou sincronicamente, ambos detestamos festins bravos nem para comemorarmos os nossos aniversários natalícios, muito menos para assinalarmos esta longa união, como temos vindo a assistir a muitos dos nossos contemporâneos. Saliente-se também que, já nesse longínquo Dezembro de 1970, aquando da nossa união, exceptuando uma galinha que foi sacrificada para lhe extraírem o famoso “nati ou ngingiyane, (moela)”, costume indispensável nessa época e na nossa região por ocasiões dessa natureza, nenhum outro pássaro doméstico ou silvestre, para não falarmos de algum quadrúpede, teria sido sacrificado como forma de festejar ou assinalar a nossa cerimónia de esponsais, o nosso noivado, (“lowolo”). Daqui a razão de não termos nas paredes do nosso despretensioso casebre nenhuma estampa ou outra espécie de testemunha ou testemunho vivo de que tenha havido algo para assinalar a data. Como um dia pregou o jesuíta, filósofo, escritor e orador português padre António Vieira (1608/1697) “Os exemplos dos tempos passados costumam ser as regras e documentos para os presentes e futuros”. Leia mais...

Por Kandiyane Wa Matuva Kandiya

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