Tropeçar no mesmo calhau!

“Tenho que mudar o mundo com as minhas verdades senão o mundo muda-me com as suas mentiras” – anónimo

Há dias, numa das muitas ruas que sulcam os nossos bairros, testemunhei um episódio marginal. Um motorista decidiu parar, bem no meio de uma viela, bloqueando o tráfego em ambos os sentidos, para travar dois longos dedos de conversa com um peão. Pela galhofa dava para perceber que não estavam a tratar nenhum assunto urgente. Riam-se à grande.

Entretanto, como era de esperar, criou-se uma pequena fila de carros. Eu ia no carro logo atrás do “malparado”. Decidi não buzinar nem fazer sinal de luzes. Afinal o peão percebera a minha presença porque olhou – durante a conversa – várias vezes para mim, mas fez olhos de mercador... continuou a bater papo. Alguns transeuntes comentaram a cena. Era de facto uma situação reveladora da ausência de humanidade entre os homens. O comportamento daquele motorista mostrou, sem dó nem piedade, que estamos longe de construir uma sociedade baseada no amor ao próximo, onde a má-criação, o boçalismo, a canalhice e a estupidez lavram a uma velocidade estonteante. 

É bom mudar a cor e ver como seria o dia se tivesse sol. Marcar um momento. Ser diferente. Infelizmente, o tipo do tal carro não tinha nenhuma noção do ridículo da atitude que tomara. Provavelmente lá no fundo do crânio vazio acreditava estar a mostrar uma pretensa grandeza. Mais ao jeito de “estou me lixando para o mundo”. Coisa de gente tacanha e infeliz. Precisa de eliminar o outro para existir. Se calhar estava a espera de ouvir buzinadelas. Deu com os burros na água...

Outro dia ouvi alguém dizer que nós não voltaremos a ser os mesmos depois da covid-19. Também pensava assim. Aliás, continuo a pensar que é possível que isso aconteça, mas antes, muito antes, precisamos de resgatar a humanidade perdida. Precisamos, como sociedade, de fazer uma introspecção profunda e buscarmos esse pedaço de nós mesmos que se perdeu nas brumas do tempo e das dificuldades. Leia mais...

Por Belmiro Adamugy

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