Somalis atirados à fogueira!

Quem conhece o conflito que a Somália vive desde a década de 1990 vai facilmente pensar que este texto trata do recrudescimento da violência naquele país do corno de África. Sim, vai certamente pensar que o al-Shabab entrou em Mogadício e capturou umas tantas almas e atirou-as à fogueira. Mas, desta vez, quero falar-vos das acções da Turquia na Somália.

Na realidade, a Somália é um estado dividido e incapaz de exercer a soberania em todo o território, ou seja o poder encontra-se dividido entre os vários senhores de guerra. Apesar desta incapacidade, a República Federal da Somália tem um Governo liderado pelo Presidente Mohamed Abdullahi Mohamed e um Parlamento que funcionam em Mogadício. De realçar que o Presidente Mohamed Abdullahi Mohamed foi eleito em Fevereiro de 2017 pelo Parlamento. Diante da constante insegurança, o Presidente Mohamed recorreu à Turquia com a qual estabeleceu parcerias económicas e militares.

Dentre as parcerias militares a mais destacada foi a instalação, em 2017, da maior base militar da Turquia no estrangeiro. Um investimento que custou cinquenta milhões de dólares americanos ao Governo turco. O objectivo imediato da Turquia era a venda de armas enquanto o objectivo imediato da Somália era o de reforçar a sua capacidade de resposta às ameaças terroristas. Contudo, a Turquia decidiu em 2019 envolver-se de forma mais activa no conflito líbio para ajudar o Governo de Acordo Nacional liderado por Fayez al-Sarraj contra o Exército Nacional liderado pelo Marchal Khalifa Haftar.

Apesar da vontade de se envolver na guerra, a Turquia não está disposta a sacrificar os seus cidadãos nesta luta, ela prefere recrutar mercenários para fazerem guerra em nome do seu estado. Esta é a estratégia que a Turquia já usou na Síria e, a partir de 2019, está a usar na Líbia. Relatos apontam que a Turquia já mandou para a Líbia entre dez mil e dezassete mil mercenários sírios. Contudo, estes estão desanimados porque o Governo turco não está a honrar com o compromisso de pagar aos mercenários salários mensais que variam entre dois mil e três mil dólares. Muitos relatam que receberam apenas uma vez, e por isso não estão mais a lutar a favor do Governo de Acordo Nacional, liderado por Fayez al-Sarraj, conforme o acordado, mas sim estão a lutar pela sua sobrevivência, recorrendo a furtos e outros mecanismos pouco ortodoxos. Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*

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