Governo de Transição Democrática na Venezuela?

Uma semana depois de os EUA terem acusado o Governo venezuelano de crime de tráfico de drogas, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, propôs a Nicolas Maduro um Governo de Transição Democrática, que na prática é um Governo de Unidade Nacional, para acabar com as sanções. Uma proposta inusitada e no mínimo reveladora de um desespero da Administração Trump que não consegue mudar o regime. Desespero porque Maduro não se tem abalado com as várias estratégias americanas para afastá-lo do poder devido ao tipo de alianças que ele (Maduro) possui.

Na verdade os EUA fracassaram nas suas estratégias de pressão para a mudança de regime na Venezuela. Dentre as estratégias fracassadas destaca-se o apoio a Juan Guaidó incentivando-o a autoproclamar-se presidente, seguida da tentativa de reconhecimento internacional de Guaidó como presidente eleito, a aplicações de sanção contra o Governo de Maduro e a mais recente acusação de Maduro e membros do seu governo como narcotraficantes. Uma acusação que fez lembrar a triste história do General Manuel Noriega, presidente nacionalista do Panamá, 1983-1989, que, acusado de ser traficante, foi deposto, capturado e levado aos EUA onde foi condenado a 40 anos de prisão.

Se o exemplo de Noriega podia intimidar Maduro, porque a acusação de tráfico de drogas remete à possibilidade de intervenção militar e possível captura e posterior julgamento nos EUA, o exemplo de Fidel Castro anima-o a continuar a lutar contra as intenções pan-americanistas e imperialistas dos EUA. Castro é o herói que inspira Maduro com a sua saga vitoriosa sobre as investidas militares americanas na Baía dos Porcos, em 1961, e sobretudo a vitória sobre sanções económicas desde 1960. Cuba resistiu heroicamente ao poderio americano com a ajuda soviética e impôs-se como referência mundial na educação e na saúde. Portanto, Maduro sabe que não está a lidar com super-homens, mas com imperialistas que vão usar todos os meios para alcançar o fim pretendido, a mudança de Regime, mas que mesmo assim é possível sobreviver a essa hostilidade selvagem. Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*

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