Covid-19: da angústia existencial ao egoísmo destrutivo da humanidade!

O problema eterno do Homem foi e continua a ser o valor da sua existência. O Homem sempre se perguntou porquê e para quê existe aqui e agora? E, sobretudo, para onde irá depois desta estadia efémera? Estas e outras perguntas, absurdas para muitos, põem muitas vezes os indivíduos em situação de desespero, isolamento, angústia, cujo analgésico, muitas vezes, tem sido a religião. O Covid-19 vem levantar uma pergunta essência à existência humana: Como valorizamos a vida diante da poderosa ameaça à existência humana? Como as perguntas existenciais individuais, a pergunta levantada pelo Covid-19, que é de existência colectiva, é angustiante.

Sim, a humanidade está angustiada – está num estado de ansiedade, inquietude, aflição – por causa da epidemia do Covid-19. Esta angústia nasce do sentimento de impotência diante de uma doença sem cura, como diria Heidegger (1889-1976) ela ‒ a angústia ‒ nasce da consciência de que não se pode evitar a morte. Os relatos que nos chegam da Itália (berço do cristianismo), onde os médicos podem decidir a quem atender e a quem deixar morrer (poder que deveria ser reservado a Deus) fazem crescer a angústia existencial, não só dos italianos mas da humanidade. A angústia é justificada pela situação de muitos países, economicamente francos, principalmente em África, que não têm sequer condições para testagem da doença e muito menos materiais de protecção. A humanidade está à mercê da selecção natural darwiniana, onde os mais fortes sobrevivem e os fracos desaparecem.

O mais difícil de perceber não é a perigosidade da pandemia, é, isso sim, o egoísmo destrutivo da humanidade a todos os níveis. No nível estatal ocorre o açambarcamento de produtos de protecção como luvas, máscaras e álcool para depois serem revendidos a preços especulativos, relegando-se assim aos menos afortunados a morte por falta de meios de protecção. O açabarcamento acontece também em relação aos produtos alimentares, por aquele que pode pagar, deixando o pobre sem alternativa de comprar os produtos quando puder amealhar alguns centavos. Portanto, fica claro que a nível estatal as maiores vítimas serão, sem dúvida, os pobres, que são a maioria, que não terão nem máscaras, nem luvas, nem álcool desinfectante (se bem que podem recorrer à cinza e outros produtos locais) nem condições de fazer a testagem.  Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*

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Última modificação: Sábado, 21 Março 2020 20:27
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