Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, 2016, Moçambique fez-se representar por seis atletas, nas especialidades de canoagem, atletismo, judo e natação. Kurt Couto esteve nos 400 metros barreiras em atletismo, naquela que foi a sua quarta presença em Jogos Olímpicos; Marlon Acácio, no judo, e os canoístas Mussa Tuabuldine e Joaquim Lobo, estrearam o país na canoagem. A convite da respectiva federação internacional, também estiveram presentes no Rio de Janeiro os nadadores Igor Mogne e Jannah Sonneichein.

Lembrar que registamos na véspera dos Jogos Olímpicos uma constatação preocupante ecoada pela voz do Secretário-Geral do Comité Olímpico. Aníbal Manave afirmou alto e com vigor que o país podia levar mais uma atleta feminina ao Rio de Janeiro porque existia essa vaga no atletismo. Não existia era uma atleta com performance para tal.

Regressados do Rio de Janeiro e com mais uma prestação inglória, as federações nacionais e o próprio Comité Olímpico iniciaram um período sabático até, provavelmente, 2019, quando estivermos na véspera dos Jogos de Tóquio agendados para 2020.

Ora, tal como não se sabe bem bem o que sucedeu com os representantes moçambicanos nos Jogos de Londres em 2012, nomeadamente Jéssica Vieira e Chakyl Camal (natação), Sílvia Panguana (atletismo), Neuso Sigauque (judo) e Juliano Máquina (boxe), o mais provável é que em 2020 ninguém saiba do paradeiro do sexteto que esteve no Rio.

Esta situação deriva claramente da inexistência dum programa alargado e a médio prazo do nosso Comité Olímpico, o qual, entra sistematicamente de férias quando encerra um determinado ciclo olímpico.

Os critérios de atribuição ou renovações de bolsas olímpicas não são objectivos e consequentes, por isso, o país continua a levar atletas na calha, sem o estofo olímpico recomendável.

Para além disso, era de esperar do lado do nosso Comité Olímpico um acompanhamento próximo aos atletas que se beneficiaram da boleia olímpica, na perspectiva de na edição seguinte garantirem os mininos de participação através da sua própria evolução.

É que é difícil convencer mesmo a um curandeiro que atletas como Juliano Máquina ou Neuso Sigauque, puros juvenis, simplesmente desapareçam do mapa das competições internacionais como se tivessem atingido a idade de veteranos.

Não se percebe o que tem feito as respectivas federações e o Comité Olímpico para, no mínimo, justificarem o investimento feito em determinado ciclo olímpico.

Ao entrar em férias prolongadas, o Comité Olímpico não só perde retorno do seu investimento, como, mais grave ainda, anula as projecções de todo um país que tinha em certos atletas a esperança de um dia voltar a conquistar alguma medalha nos Jogos Olímpicos.

Considerando o potencial desportivo do país, o presidente do Comité Olímpico devia ser alguém que, acordado de surpresa à madrugada, soubesse pronunciar o nome de pelo menos dez atletas elegíveis para Tóquio, o que infelizmente Marcelino Macome não é capaz.

Tal sucede porque, vale dizer, os gestores desportivos teimosamente ignoram que o são porque existem atletas cujas carreiras devem ser eles a gerir.

Um gestor desportivo comprometido não pode tomar café, conduzir um bom carro ou pagar uma festa do seu filho esquecendo-se que essas benesses são possíveis e exequíveis porque alguém confiou-lhe e lhe paga para gerir da melhor forma possível as carreiras de determinados atletas.

Custódio Mugabe