Foram a enterrar na tarde de quinta-feira, 27 de Agosto, no Cemitério de Michafutene, os restos mortais do antigo basquetista João Chirindza, falecido dia 22 de Agosto na Tunísia, para onde se deslocara integrado na delegação que participa no Afro-basquete 2015.

Chirindza teve que ser internado numa unidade hospital em Tunis na quarta-feira, dia 20 de Agosto, onde veio a perder a vida aos 50 anos de idade. Nasceu a 4 de Março de 1965. “John” assim era tratado no seio dos adeptos do Maxaquene, seu clube de coração, que se transformou em sua casa.

Centenas de desportistas, familiares, amigos e admiradores participaram no seu velório havido no pavilhão onde se fez grande jogador de basquetebol e exibiu o seu talento ao mais alto nível, ora vestido a tricolor, ora a moçambicano.

Numa altura que o país aguardava pela chegada dos restos mortais de Chirindza, o Presidente ad República, Filipe Nyusi, encorajou a delegação moçambicana aos Jogos Africanos de Brazzaville para inspirar-se na trajetória do antigo atleta.

O Chefe do Estado lembrou que Chirindza perdeu a vida em missão do Estado e os novos atletas devem inspirar-se nesse exemplo para servir o país quando selecionados.

Gente de todas as gerações do basquetebol se fez presente no “adeus a Chirindza”, em ambiente de muita tristeza, de olhos postos ao caixão exposto no rectângulo de jogos onde o poste “John” se exibia e se alegrava a jogar o que mais gostava, basquetebol.  

Foram lidas muitas mensagens em sua homenagem. Sua família disse que o tinha como um bom pai. As confissões religiosas por ele rezaram e cantaram para que a sua alma seguisse em Paz. O seu clube, Maxaquene, e colegas recordam os seus melhores momentos e das glórias que ajudou a conquistar. O Ministério da Juventude e Desporto enalteceu o grande desportista que foi João Chirindza.

“Verdadeiro amigo, sempre com sorriso no rosto. Estamos todos tristes pela sua partida. Descanse em Paz, João Chirindza. Até sempre John”, se ouviu dizer.

Excelente basquetista

- Hélder Nhandamo

“Conheci-o quando Fernando Silva o trouxe ao Maxaquene. Começou tardiamente o basquetebol, mas soube superar. Ao fim de dois anos já demonstrava ter futuro glorioso. Fui seu treinador. Quando passei para Matchedje cheguei de o defrontar. Nunca fiz equipa com ele”. Hélder Nhandamo (Cobra), hoje mais residente na África do Sul que em Moçambique.

“Excelente jogador. Um grande desportista. Um grande homem. Um exemplo a seguir em todos aspectos. Com relação a mim soube ter boa relação. Fui seu treinador em todos os escalões.”

No fim, Cobra afirmou ser difícil descrever um homem que em vida só sabia fazer “ coisas boas ao serviço do desporto nacional”.

Servidor da pátria

- Simão Mataveia

Uma das pessoas que muito conviveu com João Chirindza no basquetebol é Simão Mataveia, seu colega no Maxaquene e na selecção nacional.

“Era um homem incontornável. Fez um percurso de sucesso. Era natural e humilde”, assim começou Simão Mataveia a descrever o ex-colega e amigo.

Visivelmente triste e com lágrimas nos olhos, Simão era homem triste e derrotado.

“Perdemos um grande homem. Uma pessoa íntegra, que certamente nos fará falta para sempre. Um desportista que morreu a defender a pátria. Que o seu legado fique com os mais novos”, salientou Simão Mataveia.

“Faltam-me palavras para descrever da melhor maneira uma pessoa com a qual compartilhei bons e maus momentos de jogar basquetebol. Talvez sublinhar que era simpático para com todos.”

Vertical e humilde

- Inácio Bernardo

Inácio Bernardo, ex-basquetista e treinador, descreve João Chirindza como tendo sido um atleta de eleição que soube estar no desporto. Foi seu atleta das vezes que reforçou Desportivo de Maputo e a selecção nacional.

“Estás-me a pedir para falar de alguém que foi meu atleta das vezes que reforçou o Desportivo e quando eu era seleccionador nacional. Era muito vertical e humilde. Foi sempre uma grande referência do desporto nacional”, Inácio Bernardo.

“Apesar da rivalidade que sempre existiu entre “tricolores” e “alvi-negros”, Chirindza reforçava desportivo sempre que fosse solicitado. E o fazia com dedicação”, recordou Inácio Bernardo.

“Perdemos uma das grande figuras do nosso desporto, cujo nome jamais se apagará. Era muito participativo e fiel. Fez parte da geração de ouro do nosso basquetebol”.