Muitos ficam frustrados quando são forçados a deixar determinado cargo desportivo, quer nos clubes quer nas associações e federações. Desaparecem da circulação desportiva e deixam de prestar qualquer apoio ao sector do desporto. Ficam de costas voltadas com o desporto, como se sua gente virasse sua inimiga. Tudo, independentemente das causas do seu afastamento.

Caso de Domingos Langa, ex-presidente da Federação Moçambicana de Xadrez (FMX) é raro na nossa sociedade. Após ser forçado ao afastamento da presidência federativa do xadrez não se escondeu nem fugiu da modalidade. Colocou-se num cantinho. Formou sua própria escola de xadrez, na cidade da Matola, Bairro de Fomento, com ajuda dos mesmos amigos que reunia na federação. Transformou a escola em uma academia, cujas actividades transbordaram Maputo e se espalham pelo país todo, com a parceria inteligente do Ministério da Educação.

É esse desportista incansável e que luta para a modalidade de xadrez ganhar mais espaço no país, que convidamos para esta entrevista.

Senhor Domingos Langa, há sensação que tem estado a procurar protagonismo para voltar à presidência da Federação Moçambicana de Xadrez, onde saiu em 2000. Tem comentário a fazer?

Bem, pessoalmente ainda não senti isso. Tenho cultura de trabalho. Onde trabalho procuro fazer algo importante. Dou muito de mim. Gosto de aparecer a fazer algo melhor. Talvez as pessoas que não me conhecem pensem desse modo. Tenho ambição de fazer bem e melhor, mesmo na agricultura onde sou funcionário, seja no partido Frelimo, onde sou quadro sénior, assim como no desporto, onde sou membro activo. É por isso que as minhas coisas saem sempre bem.

Como se explica que uma academia denominadamente da Matola passeie classe pelas províncias?

Quando deixei a federação criei a Escola de Xadrez da Matola, aconselhado por amigos, com destaque para Jhon Kachimila, amigo pessoal. Com o apoio do malogrado edil da Matola, Carlos Tembe, que praticara xadrez, criei aquela escola no âmbito territorial da Matola.

Qual era o fim?

Na altura perspectivávamos tornar Matola grande em todas as frentes, incluindo na de desporto. Matola hoje é capital de xadrez. Em Setembro de 2011 a província de Maputo acolher o festival nacional dos jogos desportivos escolares. A minha escola, hoje academia, patrocinou tudo inerente a xadrez, alojamento, alimentação transporte e material de jogos. O actual ministro da Educação, na altura vice-ministro, convenceu-me a fazer algo nacional para o xadrez. No ano seguinte criei a Academia de Xadrez da Matola, que hoje faz massificação da modalidade a nível nacional, em parceria com o Ministério da Educação.

Qual é no fundo o seu objectivo nesta incursão na formação nacional de xadrez?

O meu objectivo principal é de que o xadrez seja uma modalidade praticada em todo Moçambique. É uma maneira de proporcionar oportunidade de praticar desporto aos que não podem jogar futebol, basquetebol, boxe e outras modalidades. Apesar de xadrez ser o desporto que traz mais ganhos ao ser humano, ainda não é actividade obrigatória nas escolas públicas. Neste momento estamos a formar professores em matéria de xadrez, independentemente de serem ou não professores de Educação Física. E estamos a equipar as escolas primárias do 1º grau com material trazido de fora, já que no país ainda não é fabricado. Tal como os que libertaram a nossa pátria, eu pretendo fazer algo importante para este país, que é pôr todos os moçambicanos a gostarem de xadrez.

Tem acompanhado as actividades da Federação Moçambicana de Xadrez?

Acompanho muito pouco o trabalho da federação, mais porque não tenho o seu texto de planificação de actividades. Mas sei que atravessa muitas dificuldades.

Porque não a presta apoio?

No dia que me contactarem eu darei apoio. Sei que a federação tem dificuldades na organização dos campeonatos nacionais. Não poço ir lá dizer eu estou aqui, quero apoiar a federação. Não seria ético para mim. Os que estão lá que tenham capacidade de criar parcerias, incluindo com a minha academia.

CND precisa de espaço de actuação

É membro do Conselho Nacional do Desporto. Acha que aquele órgão funciona?

Sou membro fundador do CND, responsável pela área do Conselho Consultivo.

CND funciona?

Funciona. Estamos em exercício, mesmo fora de mandato. A direcção convocou eleições, mas o ministério daJuventude e Desportos (MJD) achou que o CND evia ter melhor organização e melhor representatividade. Por isso, ao nível das províncias já existem novos membros do CND. Está-se a espera da convocação de Assembleia Geral para a eleição de novos corpos gerentes.

Votará pela continuidade de Eugénio Congo como presidente do CND?

Ele é meu amigo. O apoiaria, como sempre o fiz, entanto assessor de direcção.

Nunca ambicionou ocupar o lugar de presidente do CND?

Ambição tem momentos. Eu sou homem de bons momentos. Quando chegar esse momento irei candidatar-me. Eu sou como membro posso eleger e ser votado.

Diga uma coisa, não há nada que o CND devia fazer e não está a fazer?

Deixe-me dizer com muita franqueza que o CND precisa do seu espaço para de facto ser órgão conselheiro de verdade.

Qual esse espaço?

Há muitas coisas que e não passam pelo CND. Nós só ouvimos pela imprensa, quando o correcto seria primeiro sermos ouvidos, entanto conselheiros do Estado na matéria do desporto. 

Nesse caso, podemos admitir que realmente o CND não funciona?

Funciona porque nós insistimos que funcione, mesmo sem esse seu espaço. Acho que o MJD já percebeu disso, razão pela qual é pela reorganização do CND.

Funcionar ou não, nunca ficam se os vossos subsídios. Isso é que é bom, não é?

Não comento.

Que apreciação faz do trabalho do Ministério da Juventude e Desportos?

É difícil falar do MJD, porque faço parte da assessoria do mesmo, entanto membro do CND. Quando erra, também assumo, assim como quando acerta. Mas o desporto está no bom caminho, pese embora precise de uma boa organização s todos os níveis. Para aquilo que se pretende, precisa de muitas infra-estruturas desportivas. O que existe é muito pouco. No país desporto ainda é prioritário, se comparado com agricultura, defesa, educação, saúde…e é o que faz com o financiamento a este sector continue muito baixo. Precisa de muito dinheiro para construção de infra-estruturas básicas, onde se possa delapidar o talento emergente.

É ou não pela continuidade de Fernando Sumbana Jr. no cargo de Ministro da Juventude e Desportos?

Há projectos desejados que ele deve os implementar a ver se chegamos noutra margem. Acho que deve continuar. 

É político?

Sim, sou politico. Agora faço mais politica que qualquer outra coisa.

Gosta de fazer política?

Gosto.

Não acha que os nossos políticos parecem que só fingem que gostam do desporto?

Realmente perdemos aquela cultura de viver intensamente o desporto. Me perdoem dizer que a guerra fez-nos perder certos hábitos. Aquelas pessoas que deviam algo para a sua comunidade, não estão lá a fazer aquilo que sabem, estão deslocadas a fazer outras coisas.

Quem financia as actividades a Academia de Xadrez da Matola?

São aquelas empresas que financiavam a federação quando eu estava lá.

Será que para aquelas empresas o xadrez é só aquilo que Domingos Langa faz?

Gostam do que faço. O que eu desenvolvia na federação é o que desenvolvo na academia. Perceberam que não só aquilo que se dizia de mim. Eu nunca tive gestão danosa, porque nunca fui mau gestor na minha vida. Fui sempre bom gestor agrícola. Dirigi uma federação que não tinha mas que realizava muitas actividades com êxito. Vai ver como hoje a federação está. Houve ambições desmedidas de certas pessoas, essas que com mentiras forçaram aí meu afastamento. Aquela federação era mais equipada de Moçambique, com infra-estruturas de invejar  

Manuel Meque

Fotos de Inácio Pereira

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