As Associações Provinciais de Futebol do país queixam-se de falta de dinheiro e de apoios para o cumprimento dos seus planos para a promoção da modalidade a todos os níveis. Os respectivos presidentes, em depoimentos ao nosso jornal, apelam ao empresariado e aos governos locais para um maior envolvimento neste desporto das multidões que também impulsiona a economia de quem bem o acolhe.  

Essa falta de apoios financeiros faz com que as orientações emitidas pela Federação Moçambicana de Futebol, na qualidade de entidade superior do futebol no país, não se cumpram efectivamente. Continua a haver clubes em campeonatos provinciais sem sedes, sem campos, pior do que isso, sem camadas de formação.  

 As associações provinciais não têm conseguido impor-se junto dos clubes, porque elas próprias funcionam carenciadas de meios. Algumas só olham para o futebol das capitais provinciais onde se encontram sediadas.

Porém, alguns presidentes das associações contam que os seus governos provinciais têm estendido a mão para apoiar as equipas que participam na poule de apuramento para o Moçambola, certos de que com o campeonato nacional ficam a ganhar em muitos aspectos, com destaque para a sua própria auto-estima. Noutras províncias o futebol é somente tido de brincadeira que não merece apoios.  

Do empresariado pouco ou nada se busca. Muitas empresas alegam que apoiam o desporto a partir de Maputo onde estão sediadas; aquelas que são de origem local não encontram motivo para patrocinar uma e outra actividade futebolística, já que a Lei de mecenato anda desaparecida. Não é por acaso que alguns clubes ameaçam retirar-se da poule, é que em nenhum momento reuniram condições para o efeito. E de ano para ano vamos tendo equipas no Moçambola sem mínimas condições para nela estarem. 

Oiçamos o que os representantes de Tete, Manica e Cabo Delgado dizem do futebol naquelas províncias.

O nosso futebol caiu

- Estêvão Aquica, Associação Provincial de Cabo Delgado

“Tivemos um campeonato de oito equipas, quando deviam ser dez. Das oito, duas de Mueda, uma da Ilha de Ibo e as restantes da Cidade de Pemba. Retiraram-se os representantes dos distritos de Chiúre e Mocimboa da Praia”, lamentou Aquica.

O presidente da Associação Provincial de Futebol de Cabo Delgado, revelou esses dados para consubstanciar o quanto o futebol daquele ponto do país retrocedeu nos últimos dez anos.

Aquica sustentou a afirmação dizendo que até em 2003 aquela província contava com 12 equipas no campeonato local. De lá para cá o número de participantes vem decrescendo. Este ano foram oito. No próximo podem ser menos.  

Falando sobre as causas que levam o futebol a entrar em decadência, o nosso interlocutor disse que “ os dirigentes de clubes não conseguem reunir condições económicas para sustentar as despesas de participação das suas equipas em provas provinciais”.  

Referiu ainda que não se pode exigir que todos os clubes participem nas provas organizadas pela sua associação, porque esta também enfrenta muitas dificuldades no seu funcionamento.

“Para organizarmos os nossos eventos dependemos de ajudas de alguns empresários da praça, que nem sempre estão garantidas, o que torna difícil cumprir com os programas traçados garantidos”,disse.

Neste ano a satisfação de Aquica adveio do facto de ter contado no “provincial” com duas equipas do distrito de Mueda, Desportivo e Paróquia, e uma nova da cidade de Pemba, a da PRM.

“Foi um grande passo contar com equipas de Mueda, tanto no provincial, assim como na poule de apuramento. Mesmo com dificuldades financeiras, uma delas conseguiu uma vaga na poule de apuramento para moçambola. Não conseguiu lograr os objectivos desejados porque na poule os seus jogadores estiveram desmotivados por falta de remuneração. Não foi desta, mas um dia o Moçambola poderá escalar Mueda”,disse. 

Num outro desenvolvimento, Aquica mostrou-se preocupado com o estado dos campos, que permite realização eficaz de jogos de alta de competição. Recintos com mínimas condições são cinco, situados em Pemba, Montepuez, Mocimboa da Praia, Ibo, Chiúre e Mueda.

Acrescentou na sua explanação que “tudo indica que vamos ter o Estádio Municipal de Pemba pronto antes do arranque do Moçambola do próximo ano. Neste momento a preocupação é de onde trazer água para a rega do campo. Havia planos de abertura dum furo nas imediações do campo. Confesso que ainda não sei como terminou essa iniciativa”.

Governo não apoia 

- Adamo Mamade , Presidente da Associação Provincial de Futebol de Tete

Os governos distritais e a Direcção Provincial da Juventude e Desportos não incentivam os clubes para que participem em provas por nós organizadas. Temos clubes na poule que ninguém os apoia, o que não é bom para o futebol provincial de Tete – palavras de Adamo Mamade.

O presidente da Associação Provincial de Futebol de Tete disse também estar satisfeito por haver muita gente interessada na prática da modalidade na província, que de ano para ano vai fundando novos clubes.

 “Quando tive a informação da desistência das equipas de Angónia, liguei para o presidente do Conselho Municipal de Ulónguè pedindo que ele fizesse chegar a preocupação às estruturas de níveis mais altos da província. Mas as equipas continuam a ameaçar abandonar a prova”, lamentou Mamade. 

“No princípio de cada época temos exigido a todos os clubes termo de responsabilidade, em cada um se obriga a disputar todas as provas da província e da zona para as que transitam para poule”,disse-nos o entrevistado.   

“Só que, ao meio da época os dirigentes dos clubes queixam-se da falta de dinheiro. É triste o que acontece connosco. Há muita vontade de se chegar ao Moçambola, mas faltam condições para uma boa participação na fase de apuramento”,disse.

A província de Tete conta com oito clubes, dos quais dois estão no Moçambola (Chingale e HCB),e as restantes, três de Angónia, uma de Moatize e duas da cidade capital, no “provincial”. 

Estamos sempre a subir

- Júlio Chimondzo, Associação Provincial de Manica

O presidente da Associação Provincial de Futebol de Manica, Júlio Chimondzo, disse que o futebol naquela província está sempre a subir e com as equipas que participam na poule da zona centro, Textáfrica e FC Chimoio, com a esperança de trazerem de volta o Moçambola.  

“No ano passado tínhamos 10 equipas e nesta época futebolística contamos com 12 equipas. Posso afirmar que este ano realizamos um dos melhores campeonatos, tendo o vencedor sido conhecido na última jornada”, disse Chimonzo.

A província movimentou igualmente os campeonatos de juniores e juvenis, assim como campeonato feminino.

A outra razão que permite o futebol estar em alta naquela província, segundo o presidente da associação, é a existência de várias infra-estruturas desportivas “em condições de receber jogos oficiais de futebol”.

Manica tem seis campos, dois no distrito de Gondola, dois na cidade de Chimoio e dois no distrito de Manica, sendo dois relvados.

Chimonzo disse mais: “O empresariado local, o governo municipal, assim como a associação dos sócios garantem fundos que permitem o Textáfrica ter boa participação na poule e preparar-se melhor para a próxima época”. 

Abibo Selemane

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