Do debate sobre “segurança nos campos de futebol”, se pode ouvir do jornalista Boavida Funjua que “os polícias vãos aos campos como biscateiros, que ficam à espera de pagamentos. Não intervém nas bancadas onde os adeptos se espancam. Por vezes, um único espectador enfrenta-se com cinco polícias.

 Em volta, os espectadores enchem-se de bebidas alcoólicas.”

Ângela Reane, directora provincial da Juventude e Desportos de Nampula, foi mais longe ao afirmar que “a violência nos campos de futebol varia de província para província. Na nossa província, ela é também motivada pela corrupção que envolve os árbitros, para além de insultos entre os adeptos, venda de álcool e policiamento deficitário. Já identificámos os árbitros medíocres que não devem apitar mais. Pior ainda, são adeptos que ditam as regras de jogo. Responsabilizamos os clubes pela divulgação dos regulamentos e regras de jogos aos seus adeptos e atletas. Precisamos de antropólogos para o curandeirismo”.

Aquela dirigente provincial precisou que “as elites académicas não vão aos campos, que são frequentados pelos vendedores ambulantes. Cada distrito tem o seu problema. Da regulamentação, que se recomendem os clubes para fazer chegar estas medidas definidas às comunidades, onde os clubes buscam os seus soldados de violência”.

Um outro representante de Nampula disse que “não há boas condições para a prática de futebol. As vistorias feitas são só de aspectos de medição dos campos e não também de segurança”.

O desportista Martinho de Almeida advertiu para que não se combata violência com violência.

As vezes respondemos violência com violência, que com medidas punitivas pacificas. Nós, os seres humanos somos violentos por tendência. Se aqui há quem não é violento, felicito-o”, proferiu Martinho de Almeida, cuja intervenção foi saudada alegremente.

José Dava, que é director executivo do Fundo de Promoção Desportiva, salientou que “alguns polícias vão ao jogo como adeptos de determinadas equipas. Outros nem sabem o que vão fazer no campo. Na final do afrobasquetebol feminino, os polícias meteram pessoas no pavilhão, quando os portões já estavam fechados”, revelou Dava.

O árbitro Arão Júnior, não gostou do que ouviu contra a sua classe, tendo reagido ofensivamente. “Nós os árbitros somos o elo mais fraco. Todos se justificam, o que nós não podemos fazer por proibição da FIFA. Nenhum árbitro programa ir prejudicar uma determinada equipa. Há erros de percalço, erros que são puxados para a corrupção. Todos querem ganhar. Quem perde diz que é por causa do árbitro. Há treinadores que se viram para os adeptos dos seus clubes com braços levantados incitando à violência contra a equipa de arbitragem. Felizmente, nós temos tido educação cívica todas as semanas orientadas pelo presidente da CNAF”, disse.

Arão Júnior terminou a sua intervenção sublinhando que “por vezes aparecem no campo quinze polícias sem nenhuma arma. Estive em Nampula, onde antes do jogo iniciar, ouvi dizer que se a equipa local (o Ferroviário) não ganhasse, o jogo não acabaria. E houve actos de violência”.

Carlos de Sousa (Cazé), vice-ministro da Juventude e Desportos, foi quem teceu últimas considerações sobre o tema.

Não vale apena discutir se há ou não corrupção no futebol. Temos é que ter uma atitude positiva. Como o árbitro não errar, se todos erramos? Cada um tem de saber as leis de jogo. Os próprios dirigentes de clubes não os vemos nos campos de jogos…” apontou Carlos de Sousa, que foi quem encerrou a II Conferência Nacional de Futebol.

Em resumo, conclui-se que a arbitragem dos jogos, a incapacidade dos polícias, má conduta de adeptos, treinadores, dirigentes e atletas de clubes são principais elementos que incitam violência nos campos de jogos.

Os outros temas do grande encontro que reuniu em Maputo a nata dos fazedores do futebol nacional abordaremos nas próximas edições. 

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