“Show” dos Ghorwane: o lago ainda não secou...

A noite de sexta-feira veio confirmar que a música é uma arte que une gerações numa e única linguagem. Nem a ameaça de mudança de temperatura impediu que crianças, jovens, adultos e idosos fossem à baixa da cidade de Maputo, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), para assistir ao concerto dos Ghorwane.

Seis meses depois, não poderia ser diferente. Bilheteira esgotada, sala lotada, o que já é hábito quando os “Bons Rapazes” sobem ao palco.

E o concerto, intitulado “Timissela”, aconteceu com o repertório da banda já sobejamente conhecido. Começou introspectivo, com o declamador Mabjeca Tingana a subir ao palco com o poema que leva o título do espectáculo, a tentar conter os suspiros de um público que, aqui e ali, já se encontrava de pé para dançar ao som dos Ghorwane. E Mabjeca não decepcionou.

De preto, com chapéu de palha e descalço, soltou o verbo ao som de um piano melancólico. Chorou as mortes pelo novo coronavírus, lamentou a fome, apelou para que não se abandonem as crianças, instou para que se construam mais escolas, pediu mais emprego, deplorou a insuficiência de hospitais e exortou para que se segurem os corações em momentos de fraqueza.

Finda a declamação, os “Bons Rapazes” subiram ao palco. Carlos Gove, no baixo, Muzila, no saxofone, Sheila Jesuíta, na flauta, António Baza, na voz e trompete, Júlio Baza, no trompete, Roberto Chitsondzo, voz e guitarra, David Macuácua, na voz, Tony Paco, na percussão, Stélio Zoe, na bateria, e Jorge Moisés, no teclado. Leia mais...

Texto de Pretilério Matsinhe

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