As mágoas de um casamento que terminou de forma infeliz

A Rússia e a Ucrânia estão a protagonizar uma novela que lembra as histórias de casamentos que terminam de forma litigiosa e que nenhuma das partes fica satisfeita. O amor do passado transforma-se em ódio e rancor e cada acção de uma parte é vista com desdém pela outra, e as mágoas do passado levam a comportamentos de sabotagem e de vingança. Elevou-se o tom na guerra de palavras que Kiev e Moscovo têm protagonizado nos últimos sete anos. Para além das palavras, as duas partes estão a entrincheirar-se e dizem-se prontas para a eventualidade de uma confrontação militar. No centro desta novela toda está, na verdade, a tentativa de Kiev “libertar-se” de Moscovo, por um lado, e a vontade desta última continuar a projectar o seu poder pela sua “vizinhança próxima”, por outro.

O actual braço de ferro entre a Ucrânia e a Rússia teve origem em 2014, quando uma crise que eclodiu na Crimeia terminou com a adesão/anexação deste território na Federação Russa. Tudo começou com uma série de protestos, ocorridos em Novembro de 2013, contra o então presidente ucraniano Viktor Yanukovych que havia rejeitado um acordo de maior integração económica com a União Europeia. Entre os protestos e a resposta das forças de segurança acabou eclodindo um conflito que levou o presidente a abandonar o país. Com a tomada do controlo da Crimeia pela Rússia as relações entre os dois vizinhos deterioraram- -se e têm sido caracterizadas pela elevação de tensão e troca de acusações mútuas.

A novela agravou-se dois meses depois do incidente da Crimeia. Separatistas pró-russos nas regiões de Donetsk e Luhansk, à semelhança da Crimeia, realizaram referendos de onde declararam a sua independência da Ucrânia. Daí seguiu-se um conflito que já dura há sete anos. Enquanto Kiev enceta esforços no sentido recuperar o controlo destas regiões separatistas, Moscovo tem vindo a apoiar os separatistas. Kiev alega questões de soberania e integridade territorial, Moscovo ateia-se no pressuposto da defesa dos direitos humanos dos habitantes daquelas regiões. Ao que tudo indica, interessa à Rússia que a Ucrânia continue dividida, especialmente pela intenção manifesta desta juntar-se à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).  Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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