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“Reconhecemos serem criminosos mas não nos arrependemos!”

Janeiro 23, 2021 1609

O Presidente francês, Emmanuel Macron, indicou, semana passada, que o seu país “não se arrepende e não vai pedir desculpas” à Argélia, ainda que previamente tenha reconhecido que a França cometeu crimes contra a humanidade naquele país do Norte de África. O pronunciamento de Macron vem a propósito da rixa que tem oposto diplomaticamente a França e a sua antiga colónia Argélia. O Presidente francês compromete-se, no entanto, a fazer parte de “actos simbólicos” tendentes a promover a reconciliação. O pronunciamento da presidência francesa é denunciante de uma mentalidade colonialista e imperial que ainda constitui o cerne do relacionamento das antigas potências coloniais com as respectivas antigas colónias.

A Argélia é um território que estava sob domínio Otomano no período entre 1518 e 1830, mas que, no contexto da incursão Europeia na região do Médio Oriente e Norte de África, caiu nas mãos da França no século XIX. Foi o enfraquecimento do Império Otomano, no século XIX, que criou as condições propícias para que uma potência europeia se instalasse no território para a sua colonização. Com efeito, a França capturou a Argélia em 1830. A invasão enfrentou, no entanto, uma forte resistência que fez com que somente quatro décadas depois a França conseguisse subjugar os argelinos. O processo de ocupação do território encontrou uma forte resistência das populações locais, que estavam acostumadas não a um controlo directo pela potência dominadora, mas a um controlo indirecto e com uma relativa autonomia como acontecia na era do Império Otomano.

A colonização francesa da Argélia foi caracterizada marcadamente por uma política de expropriação da terra das populações nativas para posterior passagem à pertença de cidadãos franceses que ali se instalavam. Estes dois elementos, controlo directo e confiscação das terras mais aráveis, foram a pólvora que instigou a forte resistência que os franceses tiveram de enfrentar para controlar efectivamente o território. Eventualmente, emergiu um movimento nacionalista, a Frente de Libertação Nacional (FNL), que lutou pela libertação do país. Uma guerra pela independência viria a eclodir em 1954, tendo se arrastado até 1962.

Edson Muirazeque
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