Galaroz dos Galarozes

Antes, vale a pena recordar que Galaroz dos Galorozes é o prémio mais alto dos galarozes que é atribuído ao galo que se evidencia no absoluto das categorias. Em 2020, esta distinção vai para o incontornável deputado eclesiástico por se ter destacado entre os galos que lutaram no poleiro da chamada Casa do Povo. Diga-se não foi tarefa fácil para o júri deliberar. Teve de recorrer a uma segunda volta para o desempate.

Venâncio Mondlane, o Galaroz dos Galarozes, cantou tanto de bico empinado até que outros galos da capoeira se convenceram de que não tinham estofo para ombrear nesta peleja.

Normalmente preocupado em mostrar-se mais lido e informado que todos, chegou mesmo a cantarolar, em bom estilo, para a surpresa de tudo e de todos, que o governo chinês iria expropriar do Estado moçambicano todas as infra-estruturas cuja construção foi por si financiada, por um alegado incumprimento do serviço da dívida.

O que não sabemos é se canta por mera distracção ou simplesmente pelo prazer de criar confusão na cabeça das pessoas, ou por vontade de aparecer e virar centro das atenções no edifício da 24 de Julho.

Galo habituado a voar de capoeira em capoeira - começou pela Frelimo, passando pelo MDM até atingir a Renamo e com probabilidade de partir para outros destinos -, várias vezes procurou incendiar a sala do plenário com denúncias infundadas. Mas até aqui estava empatado com outro seu correligionário em matéria de cantar por cantar. Mesmo de noite.

No entanto, conseguiu desempatar com aquela de tentar agitar os vendedores da baixa da cidade de Maputo para não acatarem as ordens do Conselho Municipal de abandonar os passeios, uma medida inserida no âmbito do combate à Covid-19.

É isto que ditou que Venâncio Mondlane fosse eleito Galaroz dos Galorezes, com direito a todas as honras protocolares reservadas ao legítimo vencedor. As nossas felicitações pela façanha.

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