“Mathxinguiribwa” já está à venda

Ao som da timbila de Chenny Wa Gune, o escritor Alexandre Chaúque lançou, sexta-feira última, o seu romance intitulado “Mathxinguiribwa”. O acto teve lugar na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e com direito de transmissão em directo nas plataformas digitais.

Chancelado pela AEMO, o romance de 167 páginas chega ao público com 500 exemplares e serve, desde já, como uma homenagem que o escritor faz à sua cultura cicopi, de Inhambane, local onde nasceu. “Mathxinguiribwa”, que dá título à obra, é o nome de um arbusto que se usa para se limpar após satisfazer as necessidades maiores.

O enredo gira em torno de todos os valores culturais do seu local de origem que o escritor foi captando ao longo do tempo e busca valorizar nesta obra, com maior destaque para a timbila. Portanto, é uma obra que revela o exercício feito pelo escritor no seu isolamento e solidão para fazer chegar ao mundo através da sua escrita a cultura cicopi.

Igualmente, mostra como as sociedades recorrem às práticas culturais e tradicionais locais para resolver diversas situações. É por isso que o livro de Alexandre Chaúque menciona o poder do curandeirismo, sobretudo das regiões de Mambone, Quissico, Zavala e Machanga.

Ao mesmo tempo, o livro acaba sendo um espaço de reivindicação por parte do autor que sente que parte da cultura cicopi vai se diluindo e desaparecendo aos poucos. É o que faz quando descreve as festividades do nascimento de “Mathxinguiribwa”, personagem principal da obra e que, logo que chega ao mundo, os curandeiros são peremptórios ao afirmar que vai ser um grande timbileiro e vai curar pessoas.

Alexandre Chaúque vai além da cultura cicopi e revela como os Homens daquela região de Inhambane tendem a abandonar o local, prática que se tem notabilizado ao longo dos anos. É neste contexto que a obra mostra porquê o pai de “Mathxinguiribwa” abandonou a família, primeiro para trabalhar na cidade de Maputo e depois na África do Sul.

Coube ao jurista Gulamo Tajú, amigo de infância de Alexandre Chaúque, a apresentação da obra. Durante a cerimónia, Tajú falou de um Chaúque que sabe escrever bem e que labuta em torno de uma cultura que bem a conhece.

“Conhece a sociedade onde vive, conhece a cultura envolvente. Este livro remete-nos a aspectos da nossa identidade, faz-nos viajar e ver gentes e culturas e práticas culturais de vários locais de Inhambane e até atravessar o Save. Ele mostra que para se chegar a píncaros, vamos perguntar a um curandeiro qual é o caminho e, às vezes, sacrificamos algum parente”.

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