O escritor devia ter chance de conhecer o seu país

Alexandre Chaúque, jornalista cultural e escritor, vai brevemente lançar mais um livro. Uma obra que vai sair sob chancela da AEMO – Associação Moçambicana de Escritores. "Mathxinguiribwa" é o título do livro que revela um jornalista puritano, na solidão, mas feliz e apaixonado pelas artes. Defensor de uma maior abrangência de leitura para criar oportunidade aos que vivem pelo Moçambique todo, Chaúque é uma raridade no mundo literário. Vive com profunda paixão o que escreve e alimenta o seu tacto da escrita pelo cantar inusitado dos pássaros que são a sua fiel companhia. Convidámo-lo a emprestar-nos algumas horas do seu tempo dedicado à vida retraída. Aceitou e abriu a sua alma para falar do livro e sua vida. Uma conversa agradável feita ao ritmo do "Bitonga Blues" e o resultado é o que segue. Boa leitura.

O que é "Mathxinguiribwa"?

"Mathxinguiribwa" é nome chopi dado a um tipo de plantas silvestres, usadas na medicina tradicional. Mas veja só que desde os tempos dos nossos antepassados, essas mesmas plantas são usadas para limpar o traseiro, quando as circunstâncias obrigam a que as pessoas optem pelo fecalismo a céu aberto.

Por que escolheu esse nome?

Escolhi-o porque esse nome soa-me a música, e como queria que a música me acompanhasse na produção do meu livro, escolhi-o como cicerone. "Mathxinguiribwa" é nome do personagem principal, por ter sido dado à luz nesses arbustos.

O título do seu livro é difícil de ler. Não tem receio que isto retraia os potenciais leitores, e dificulte as vendas?

Você a se colocar no lugar dos editores. A preocupação deles são os rendimentos financeiros, e isso é normal para quem está no mundo do negócio, mas eu não tenho nada a ver com isso. Cheguei a sofrer pressão para mudar o título, incluindo por parte dos meus confrades e amigos, mas no meio deles havia aqueles que pensavam como eu. Na verdade não sei se o livro vai vender ou não com esse nome. O que posso lhe dizer é que estou satisfeito com "Matxhinguiribwa". Isso é importante para o meu ego.

A história desta obra desenrola-se num cenário chopi, com a presença muito forte da timbila, diferentemente da sua anterior proposta literária, “Ndekeni”, laureada com o Prémio “10 de Novembro”, em que há uma mistura entre o xithswa e o gitonga, palcos, aliás, que constituem as suas raízes. O que é que lhe levou desta vez a optar pelo chopi como mote? Leia mais...

Texto de Frederico Jamisse

This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Classifique este item
(0 votes)