Casimiro Nhussi faz “Matope” e grita “Ho Yala”

“Matope” é a mais nova peça coreográfica do bailarino, coreógrafo e músico Casimiro Nhussi, cuja estreia aconteceu na última sexta- -feira numa das margens do rio La Salle que corre próximo do St Norbert Arts Centre. Transmitida através das plataformas digitais, mediante compra da senha de acesso, marca o regresso aos palcos, depois do confinamento, da Nafro Dance Company, dirigida pelo artista moçambicano. A estreia coincidiu com a indicação do artista para os prémios Western Canadian Music Award com a música “Koko”, tema que lançou no início do ano.

A coreografia é inspirada na mitologia makonde, segundo a qual “Matope” são espíritos na forma de criaturas desconhecidas que ressurgem da lama da margem de um rio. Eles têm uma compreensão mais profunda dos tempos difíceis da natureza e o que precisam passar para manter todos os habitantes vivos. Eles trazem mensagens muito importantes da mãe natureza para a humanidade.

Em entrevista “online” com domingo, Casimiro Nhussi disse que esta peça já habitava os seus sonhos, mas que só agora houve oportunidade para concretizá-la: a actualidade do tema não tem nenhuma relação com a pandemia causada pelo novo coronavírus, explica.

“Os espíritos trazem mensagens do outro mundo. Não me prendi à tradição makonde, mas parto dela para falar para o mundo. Uso um estilo coreográfico que tenho estado a trabalhar nele a que chamo ‘Nafro’; uso os gestos, movimentos da nossa gente e de outros povos africanos para comunicar sem uso da palavra. O meu vocabulário é uma mistura de símbolos. Não há uma dança específica; não se pode falar de dança tradicional ou moderna ou contemporânea. É uma linguagem pessoal”, disseca o autor de “Ode à Paz” e “Kaba”.

Acrescenta que é uma experiência nova esta e que a colaboração de todos os artistas envolvidos foi decisiva; “usar a lama para ter criaturas (actuantes) emergindo dela, e árvores, água, vento, tudo o que a natureza tem para oferecer. Tem sido como entrar em um lindo sonho do qual você não quer acordar”, celebra. Leia mais...

Texto de Belmiro Adamugy

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