Tony Paco: baterista de cores

Toca bateria e percussão que é uma maravilha. Mas tem outros talentos menos visíveis. Cozinha e pinta muito bem. É pau para toda a obra quando é necessário. Oriundo de uma família com pendor para as artes, é indubitavelmente um dos artistas mais proeminentes do nosso universo. Partilhou palcos com nomes grandes como Mingas, Hugh Masekela, Jimmy Dludlu, Any Narrel, Moreira Chonguiça, Bed On Briks, Mac Stanley, Steffon Harris, Sibongile Khumalo, Chude Mondlane, Freshlyground, Tucan Tucan, Beyonce Knowles, Jonathan Butler, só para citar alguns. Entretanto, por ser instrumentista (baterista e percussionista) e algo discreto, só se sabe que é Tony Paco...

Tony Paco... quem é Tony Paco?

Tony é António Milage Paco, nascido em Maputo, bairro do Aeroporto. Estudei nas escolas Primária da Maxaquene e Secundária da Maxaquene. Fiz o ensino técnico na Escola Industrial 1.º de Maio. Sou o quinto filho da minha mãe, que me teve depois da Lucrécia, antes dela nasceu a Lídia, o Celso e o Frank, que é o mais velho. Somos uma família grande. Tenho irmãos pelo lado paterno, totalizando 11; Elisa, Clionícia, Adérito, Ester, Licínio (Sininho) e o Daniel, em ordem decrescente. Temos a mana de todos nós, Lelita.

Uma verdadeira “big family”... mas o Tony...

Sou solteiro apenas no BI, vivo com a minha noiva Guguiane, com quem me considero casado. Conhecemo-nos no casamento do Sininho, quando na altura ainda vivia na Cidade do Cabo e ela em Joanesburgo.

Como surgiu o seu gosto pela música?

Foi em casa. O papá tinha um ouvido afinado para música e possuía uma colecção de discos. Quando nos mudámos para a cidade em 1976, o Frank e o Celso tinham um grupo e ensaiavam numa garagem em frente ao prédio onde morávamos. Assistia os movimentos deles e nos intervalos sentava na bateria modesta feita de latas e alguns retalhos de câmara de ar e imitava o que eles faziam, e com alguma naturalidade. Mais tarde, nos anos 80, Celso integrou uma banda chamada Sexto Elo, e decidiram criar uma banda júnior. Eu fazia parte desse elenco. Ensaiávamos numa das garagens do prédio da então Revista Tempo; mas a banda se desfez sem sequer ter tido alguma actuação ao vivo.

Essa contrariedade não o desanimou?

É verdade que depois disso não me interessei pela música como instrumentista, apesar de o amor pela música nunca ter morrido. Mais tarde, em 1993, quando o Celso se encontrava no Zimbabwe a estudar, passei pela Escola de Música e parei para cumprimentar os amigos e colegas dele; nesse grupo estava também o professor Orlando da Conceição. Ele disse- -me que ouvira dizer que eu tocava bateria, e eu respondi que não me sentava numa bateria há muitos anos. Levou-me a uma sala onde havia uma bateria, e disse: “fique aí a brincar”. Sem exagero, entrei às 16.00 horas e só saí de lá às 22.00 horas. Desde esse dia passei a visitar a Escola de Música com mais frequência. Depois passei a frequentar as sessões de jazz ao vivo, que o professor Orlando frequentava. Fui convidado a integrar a banda Kinamatamikuluty, que produzia músicas na base de instrumentos tradicionais em fusão com os convencionais, que era liderada pelo professor Orlando.

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Por Belmiro Adamugy

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