DEUSA D´ÁFRICA: A “guerreira” das artes e letras

E m tenra idade começou a conviver com o mundo das letras, lendo vários livros sob insistência do seu irmão mais velho, também poeta. Ela chama-se Dércia Sara Feliciana Tinguisse, tratada carinhosamente por Deusa d´África. É uma mulher de fibra e lutadora incansável pela promoção das artes e cultura – especificamente a Literatura, tendo começado a escrever em 1999. Fora dos palcos literários empresta o seu saber através da docência nas Universidades Pedagógica e Politécnica. Sob sua coordenação, a província de Gaza assistiu a vários festivais e saraus de poesia. Deusa d´África é autora das obras “A Voz das Minhas Entranhas” (poesia), editada pelo Fundac, em 2014; do romance “Equidade no Reino Celestial” e “Ao Encontro da Vida ou da Morte” (poesia) pela Editora de letras de Angola em 2016. Organizou recentemente a antologia “Fica em casa com amor”!, e recentemente esteve em frente da organização da colectânea de prosa intitulada “19 Cartas para Covid-19!”. Em 2016 coordenou a antologia poética “Vozes do Hinterland”, publicando escritores de Gaza e Niassa, editada pela Editora de Letras de Angola. No mesmo ano foi coordenadora para Moçambique da antologia editada em Galiza “Galiza- -Moçambique: Numa Linguagem e Numa Sinfonia” sob coordenação geral do escritor José Estevez.

Segue a entrevista em discurso directo.

Quem é Deusa´África?

Deusa d´África é transposição de diferentes estágios pelos quais a alma sabe ser, é a força nervosa dos monólogos nocturnos e matinais que clamam por um receptor para que se tornem diálogos, é a inquietação do espírito que não se aquiesce, é uma ilha que sobrevive tornando-se arquipélago, é o sorriso que sonha terminar em gargalhada, é uma voz que não se resigna, é a insensatez humana e a perversidade reflectidas no espelho que há em cada mulher e criança violentadas, em cada homem ou mulher fuzilados, em cada autocarro incendiado com as suas gentes, é a esperança no que se desespera, é o símbolo identitário do seu povo, é uma ave que sobrevive entre monções.

A literatura faz parte da sua vida…

Sem a literatura sou um pássaro com asas quebradas, sem locomoção e sem sonhos, preso no tempo e na desgraça de quem não pode ser.

Quando e onde é que nasceu?

Se nascem os deuses, quiçá, no Olimpo ou no Hélicon…(risos)… porém, nasci aos 5 de Julho de 1988, numa terra extasiante designada Xai-Xai.

Qual é a sua formação?

A minha primeira formação e maior de todas é o amor da minha mãe que me ensinou a ser um pedaço de si e a fazer poesia. Venho sendo formada pela vida que é a maior escola que nos ensina a amar, a perdoar, a ter certeza e esperança, a levar a paz onde houver guerra tal como ensinam os preceitos de São Francisco de Assis. Também fui matriculada no sistema de ensino nacional ao qual fui formada como mestre em Contabilidade e Auditoria e licenciada na mesma área.

Em que área trabalha? Como o quê?

Trabalho com as palavras moldando-as ao meu belprazer ou ao prazer dos deuses, também trabalho com as palavras que dão vida aos números leccionando como docente e como técnica de contas ou contabilista. Leia mais...

Texto de Frederico Jamisse

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