MASA: espaço para descoberta de talentos

O palco paralelo da 11.a edição do maior Mercado Internacional de Artes Performativas de África (MASA) que decorre desde 7 de Março, em Abidjan, na Costa do Marfim, é certamente um espaço ideal para a descoberta de novos talentos. 

Com efeito, desde o terceiro dia do evento, no qual Moçambique está apresentar a obra coreográfica “Theka”, tem estado a passar por ali vários artistas que pretendem animar o público. Gogohoun, Jazz, Blues, Coupé Décaler, Rumba, Toba, Zinli, Kaka são alguns dos ritmos que têm estado em destaque neste espaço. 

As performances a se ter em conta são de 30 minutos e cada um dos artistas que sobe ao palco faz questão de marcar o público. O objectivo é destacar-se com vista a garantir um dos títulos de um dos artistas principais da próxima edição do MASA, a ter lugar em 2022, nesta mesma cidade.

Maku Le King é um destes artistas. Vencedor do concurso de música costamarfinensa, edição de 2009, subiu ao palco acompanhado da sua banda, na tarde de ontem. 

Cheio de estilo, Le King, que mascava uma pastilha para disfarçar o nervosismo que estava a tomar conta de si, cantava quase que de olhos fechados. 

Em trinta minutos soube escolher o que tem de melhor e interpretou cinco músicas buscadas da sua EP disponível nas plataformas digitais. O público, que foi preenchendo a plateia, festejou e viajou com o artista até ao mundo melhor que ele sonha. 

As músicas são em francês e numa das línguas locais da Costa do Marfim, mas não era preciso perceber a mensagem para embalar no seu “feitiço”. 

Cantor desde a tenra idade, Le King faz um estilo a que designa Makozik, que na verdade é uma mistura de Coupé Décaler, Jazz, Blues, Zougleu, Rumba. 

KALAM: A MÍTICA DE BURKINA FASSO

Quem também não deixou os seus préstimos em mãos alheia foi Kalam, cantora burquinabe. Dona do álbum “Warba”, teve o público a aplaudir-lhe de pé.

Primeira mulher do seu país a tocar instrumentos tradicionais designados Kundé, dos quais se soltam uns sons que remetem também aos asiáticos, Kalam canta mascarada. 

A máscara assemelha-se a um pássaro. E ela tem uma explicação para sua enigmática forma de se apresentar: “sou casada com a música e não quero mostrar o meu rosto a outros. Assim fazem algumas mulheres que também são casadas”.

Forçada a casar aos 18 anos de idade, até aos 7 anos não conhecia a porta de uma escola. A sua paixão pelas artes começou pela dança e esteve activa até aos 25 anos, mas devido a problemas de joelho parou em 2007.

Maria de Lurdes Cossa, em Abidjan

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Última modificação: Quinta, 12 Março 2020 19:20