O susto indefeso

Entrei no quarto. Ela estava de pé e abraçando minha camiseta cor de rosa. Observei-a, de longe, na porta, antes de falar. Sorria e fechava seus olhos e parecia guardar todo céu no centro dos seios.

A Lena talvez estivesse a varrer antes de eu chegar, pois, à berma de si, há uma vassoura, um bocado de sujidade no chão, e até deixou despencar minha gravata. Não quis estragar o momento, mas o tempo passa, e se enche de si mesmo.  É preciso um contratempo num ambiente deste.

Larga, minha camisa. Tu não precisas fazer isso, estou aqui, sou todo teu. As noites passadas não importam mais, pois sou homem e, hoje, far-nos-emos melhor, acredite. Ei-lo o meu cheiro, o que sou de novo em ti, desfrute o real. - disse tudo enquanto me achegava nela. Ela tomou um susto indefeso, gemeu suor e até caiu na nossa cama, de trás, como se fosse eu um causador de tanto mal, contudo, viu-me e, os seus olhos, ganharam brilho na lotaria do meu rosto, sozinhamente atraiu-se pela autenticidade. Leia mais...

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