Acesso ao mundo editorial obedece mais a “lobbies”

– Agostinho Goenha, académico e pesquisador

É Professor de Literaturas Africanas, de História de Arte e de Estudos Culturais na Universidade Pedagógica de Maputo e como visitante em universidades estrangeiras: África do Sul, Portugal, França e Alemanha. O seu nome é Agostinho Matias Goenha. Em conversa com o jornal domingo, entre vários assuntos, fala do cenário literário em Moçambique: a produção e processo de publicação; reflecte em torno do “estatuto” das línguas bantu na produção literária e considera que “ainda que não agrade a alguns reconhecê-lo, a maioria da população moçambicana é culturalmente bantu”. Acompanhe.

Às quantas anda a actividade literária em Moçambique, em termos de produção e temática? Goenha responde que, “hoje, o cenário literário moçambicano é o que é. Eu, sinceramente, não conheço os ‘caminhos’ que actualmente trilha a produção literária e, sobretudo, os processos de publicação dos livros do género literário. O que lhe posso dizer é que, salvo raríssimas excepções localizadas, o acesso ao mundo editorial obedece mais a ‘lobbies’ pessoais, do que ao mérito do livro a publicar ou publicado”.

E mais: “os estudos da área ensaística e académica sobre as manifestações literárias emergentes ou existentes em Moçambique não têm acolhimento e prateleira nas instâncias editoras, se não tiverem um apadrinhamento. Nas academias existem óptimos trabalhos de culminação de cursos de Doutoramento, de Mestrado e de Licenciatura, de autores moçambicanos que me parece que merecem ser do conhecimento público”, observa.

Acrescenta na sequência que gostaria de ver cada vez mais lidos, publicados e discutidos na academia, sobretudo, os emergentes e até os consolidados escritos literários moçambicanos, “precisamente, para lhes definirmos as temáticas, as tendências, os estilos e a estética, mas o campo está hermeticamente fechado para a publicação”.

E, ao que lhe parece, “as academias moçambicanas da área das letras e das ciências sociais são as mais propensas ao desenvolvimento de reflexões, de estudos, isto é, de críticas literárias verdadeiramente informadas e captariam a atenção de potenciais leitores, sobretudo da ‘alta’ sociedade, com poder de compra de livros. Falta-nos um público leitor sistémico”. Leia mais...

TEXTO DE CAROL BANZE

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