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Abrimos via Namaacha

Janeiro 09, 2021 679

Era 31 de Dezembro. Kassim, Didi e Gilberto engalanavam a frondosa árvore de Mphama que funcionaria como salão de festa, até o sol se esborrachar no dia 1. A árvore era de per si um local festivo e sagrado, dado que uma vez ao ano uma família, que nunca foi vista, se abeirava dela para recordar os seus antepassados. Na ocasião deixava alguns cocos, moedas untadas com tinta de diferentes cores, um bocado de leite num recipiente branco, grãos de arroz e mapira. No caule espetavam uma nota de cinco escudos que era tingida de branco quando a seiva brotava.

Os mais velhos proibiam quem quer que fosse de tocar ou mexer em tudo aquilo para não carregar maus espíritos, vulgo “xipoco”. Contudo, durante a noite ou madrugada, todas aquelas coisas desapareciam. Enfim!

Entretanto, e porque os copos plásticos que a vizinhança traria para o convívio seriam insuficientes, Doco Doco e Smaila estavam “busy” em fabricar copos a partir de garrafas (vasilhames) de iogurte da Criadores de Gado.

Doco Doco e Smaila, sentados um diante do outro, calcaram o primeiro vasilhame de iogurte com os pés, depois de o terem envolvido com um fino arame, e, como se estivessem a manejar um serrote, começaram a cortar, tarefa pouco complicada porque me tade da garrafa era enroscada.

Por André Matola

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