NA PROVÍNCIA DE MANICA: Exploração de ouro é ainda uma bagunça

Mineradores industriais, artesanais e garimpeiros (exploradores ilegais) que actuam na província de Manica continuam a criar desordem ambiental e a não oferecer perspectivas de desenvolvimento às comunidades. Uns chegam ao extremo de explorar vastas áreas sem autorização, promovem conflitos com camponeses, não respeitam as normas mais elementares de higiene e segurança no trabalho, enfim. É um vê se te avias.

Todos os apelos para que se faça uma exploração responsável dos recursos minerais, com destaque para o ouro, parecem cair em saco roto em Manica. As autoridades locais dizem que a situação melhorou muito mas o rio Revúe e seus afluentes desmentem-nas, porque aquele curso de água mineral continua tão turvo que é impossível imaginar que algum animal aquático ainda sobreviva nele com tamanha poluição.

O grande problema reside no facto de a população da província ter levado ao pé da letra a ideia de que o ouro pode ser explorado em qualquer local desta parcela do país, desde que não se polua os rios. Por causa disso, multiplicam-se casos de populares que invadem áreas concessionadas a operadores licenciados e pouco ou nada pode ser feito para reverter o cenário porque se assume que “o recurso é nosso”.

Essa instrução não foi acompanhada de uma segunda, muito importante, sobre onde e a quem vender o produto. Pelo que cada um extrai o que pode, vende ao primeiro espertalhão que se lhe aparece pela frente e, no final, continua tão pobre ou pior do que era porque descobre que vendeu um produto valioso a preço de banana.

Para agravar a situação, a população já se tinha dado conta de que é possível virar “milionária” da noite para o dia, no negócio do ouro, porque assistiu a longos períodos de exploração desenfreada praticada por estrangeiros que para ali afluíram há alguns anos. havia gente das mais variadas origens na vila de Manica.

Porém, o Governo dissuadiu a presença daqueles forasteiros e o caminho ficou aberto para a população actuar no local, e esta entregou-se de corpo e alma ao negócio. Hoje os números de mineradores falam por si. Há que recordar que tais números são estimativas feitas, enquanto se espera pelo senso que está a decorrer.

Para se ter uma ideia ainda que distante do que se passa no distrito de Manica, que é o epicentro da exploração do ouro nesta província (de Manica), basta observar que aqui operam 12 empresas e mais de seis mil exploradores artesanais, alguns dos quais organizados em associações e outros nem por isso. Leia mais...

Texto de Jorge Rungo em Chimoio

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