COVID-19: Angola não vai aos mercados porque custo é “absurdamente alto”

A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves, disse que o país não tem condições para emitir dívida nos mercados internacionais porque o custo é “absurdamente alto” devido à percepção sobre as contas públicas.

“Sobre a ida aos mercados, temos de olhar para o contexto: se quiséssemos ir hoje aos mercados iríamos pagar preços absurdamente altos devido às condições económicas e de percepção relativamente à situação das nossas contas públicas”, argumentou a ministra das Finanças durante uma entrevista ao “site” AfricaNews.

Na entrevista, Vera Daves disse que o Governo tem privilegiado a contracção de dívida concessional, isto é, a entidades multilaterais ou credores institucionais, com taxas de juro abaixo das praticadas pela banca comercial.

De acordo com os dados da agência de informação financeira Bloomberg, os investidores estavam a exigir na sexta-feira juros na ordem dos 13%, acima dos cerca de 10% acordados na última emissão de dívida pública que Angola fez nos mercados financeiros.

Sobre a sustentabilidade do volume de dívida face ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, a ministra considerou que o rácio de mais de 100% é sustentável e lembrou que o Fundo Monetário Internacional (FMI), na terceira revisão ao programa, partilha a mesma opinião.

“Esta decisão da administração do FMI mostra que aprovaram o plano do programa e prova que, apesar da forte pressão, a dívida é sustentável e por isso vamos ter acesso a um desembolso de 500 milhões de dólares (430 milhões de euros) já, e mais 500 milhões na próxima revisão, ficando disponível agora, por estes dias, um valor de mil milhões de dólares, devido ao aumento do montante total do empréstimo”, disse a governante.

A pandemia da covid-19 exacerbou a pressão sobre a economia angolana, que enfrenta uma recessão há quatro anos, e que se deverá prolongar por mais este ano, a que se junta a descida do preço das matérias-primas, nomeadamente o petróleo, e o abrandamento da procura e do investimento internacional.

O Conselho de Administração do FMI aprovou na semana passada o pedido de Angola para o aumento da assistência financeira, desembolsando de imediato mil milhões de dólares e elevando o total do programa para quase 4,5 mil milhões de dólares.

“A decisão do Conselho de Administração permite um desembolso imediato de mil milhões de dólares (847 milhões de euros) para Angola e um aumento de cerca de 765 milhões de dólares [648 milhões de euros até ao fim do programa”, para quase 4,5 mil milhões de dólares (3,83 mil milhões de euros), anunciou então o FMI.

No comunicado de imprensa que acompanha o anúncio, o FMI explica que esta terceira avaliação positiva da ajuda financeira dada ao abrigo da Linha de Financiamento Ampliada (Extended Fund Facility, no original em inglês) permite o desembolso de mais mil milhões de dólares, perfazendo cerca de 2,5 mil milhões de dólares (2,13 mil milhões de euros) já entregues desde a assinatura do acordo, em 7 de Dezembro de 2018.

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