Traição aos palestinianos – “inimigo do meu inimigo é meu amigo”

Confirmou-se a previsão feita neste espaço há quatro semanas de que, eventualmente, mais “irmãos” poderiam vir a juntar-se aos Emirados Árabes Unidos (EAU) na “traição” dos anseios dos palestinianos à soberania. O Bahrein, um país árabe do Golfo, anunciou que vai, também, normalizar as relações com o “arqui-inimigo” dos árabes, o Estado de Israel. O anúncio foi feito dois dias depois de o “mundo árabe” ter enfrentado um dilema, entre abraçar o pragmatismo ou a “traição” à causa palestiniana, numa reunião da Liga Árabe. Ao que tudo indica, os Estados árabes do Golfo estão a aplicar o princípio de que o “inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Eles estão mais propensos a “perdoar” Israel pelas suas acções nos territórios ocupados do que deixar que os persas expandam a sua influência pela região do Médio Oriente.

Há um mês, os EAU “surpreenderam” o mundo quando anunciaram que pretendiam normalizar relações com o Estado de Israel. Aliás, a formalização dessa normalização está marcada para a próxima terça- -feira (15/09), em Washington. Depois do anúncio, os palestinianos, que consideram uma traição gravosa à sua causa, solicitaram uma reunião da Liga dos Estados Árabes, onde pretendiam conseguir uma posição comum de condenação às acções dos EAU. A reunião virtual, que durou mais de três horas, esteve marcada entre posições de pragmatismo e de legitimação da “traição” aos palestinianos.

Os palestinianos submeteram uma proposta de resolução que rejeitasse o acordo entre Israel e os EAU e que condenasse o “irmão” árabe por se aproximar ao “inimigo”. Há relatos, no entanto, de que houve países, que não foram identificados, que propunham a incorporação, no comunicado conjunto, de provisões que legitimassem a “traição” dos EAU. A posição oficial da Liga não foi favorável à condenação, mas também não aceitou a legitimação da “traição”. Ao invés disso, o “mundo árabe” optou pelo pragmatismo. Com efeito, a posição da Liga é a de manter-se “fiel” ao objectivo de ver terminada a ocupação israelita e o estabelecimento de um Estado palestiniano independente com fronteiras de 1967 e Jerusalém Oriental como sua capital. Ou seja, existe consenso, no “mundo árabe”, de que a base para a normalização de relações com Israel é a aceitação, deste país, da Iniciativa da Liga Árabe de 2002. Quanto à traição em si, a Liga optou por “esconder- -se” no princípio do respeito à soberania de cada Estado. Assim, a Liga considera que cada Estado tem o “direito soberano” de conduzir a sua política externa como considerar apropriado. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Classifique este item
(0 votes)
Script: