Os “fiosses” preferidos pelo médico

Era manhã de segunda-feira. Levantara- -me cedo para levar a minha mãe à consulta da vista, pois vinha reclamando de muita comichão que sentia nos olhos e, por vezes, doía-lhe a cabeça. Inconformado com as constantes referências à situação, sempre que com ela conversasse quer fisicamente assim como ao telefone, decidi tratar do assunto. E não haveria melhor dia para fazê-lo senão na segunda-feira, dia em que estou de folga. Tratei de avisá-la com antecedência que na segunda-feira iríamos ao hospital.

Portanto, no dia anterior ao da consulta, domingo, quando eram 17h00, o meu telefone tocou. Quando atendi, do outro lado da linha estava a minha mãe dizendo: “filho, peço para me acompanhares amanhã, segunda-feira, muito cedo ao hospital. Temos o programa de ir à consulta de Oftalmologia. A minha vista não está bem, como te disse, e ontem estava a lacrimejar”. De imediato, respondi à minha mãe que o pedido estava registado e a missão seria cumprida. Afinal, o que vem da nossa mãe é praticamente uma ordem irrecusável. E fora a questão de ser uma ordem, é nosso dever como filhos cuidar das nossas mães. Cumprimos o ciclo da vida - quando crianças e adolescentes, elas fazem tudo para garantir o nosso sorriso, comida boa e farta, formação e transmissão das boas maneiras. Mas chega o momento em que os papéis trocam-se. Passamos nós à posição de cuidadores. Tratar da alimentação, da saúde e dedicarmos, sempre que possível, tempo de conversa com elas. Pois, quando sozinhas, faz-lhes muito bem trocar uma palavra que seja com os filhos, não importando o assunto. Aliás, devido à sua experiência, elas transformam-se em bibliotecas e maior parte do que nos dizem soa como ensinamento que bem aproveitado é- -nos útil na vida.

Para não correr o risco de atrasar, depois de desligar a chamada, peguei no meu celular e tratei de marcar o despertador para as 5h40 da manhã. Daria tempo para acordar, tomar banho e ainda preparar um café com leite e levar fruta. Não preciso de esclarecer que ir ao hospital tal como ao banco, nos dias presentes, pressupõe o adiamento de tudo. Quando vamos ao hospital ou ao banco temos de nos alimentar bem e ter consciente o facto de podermos passar o dia todo lá. E saco vazio não fica de pé. Leia mais...

Por Frederico Jamisse

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