Os insubstituíveis de África

O partido governante na Costa do Marfim, o RHDP, anunciou, recentemente, que pediu ao Presidente Alassane Ouatarra para que se apresente como seu candidato presidencial nas eleições marcadas para o próximo dia 31 de Outubro. Ouatarra já havia anunciado, em Março, a sua pretensão de transferir o poder para uma nova geração de governantes. No entanto, o pedido vem a propósito de o anunciado candidato presidencial do partido, o antigo Primeiro-ministro Amadou Gon Coulibaly, ter perdido a vida. Feita uma análise interna, a liderança do partido concluiu que é melhor reconduzir Ouatarra à presidência já que, ao que tudo indica, o partido carece de alternativas viáveis para vencer o escrutínio eleitoral que se avizinha. Isto leva a pensar que, em muitas formações políticas do continente africano, os líderes políticos são figuras insubstituíveis.

Tem sido “tradição”, em alguns países africanos, a ideia de que as lideranças políticas são insubstituíveis. É comum aparecerem figuras que, uma vez no poder, se assumem vitalícias e criam o mito da insubstituibilidade. Alguns ascendem ao poder com promessas de democratização que os levam a estabelecer regras que prevêem a limitação de mandatos e alternância governativa. Outros ascendem ao poder com estes princípios já prescritos nas constituições dos seus respectivos países. No entanto, assim que ascendem à presidência “apercebem-se” da sua pretensa insubstituibilidade e orquestram esquemas para que haja alterações constitucionais para se manterem no poder. O argumento para tal tem sido uniforme: a ideia da necessidade de cumprir com o projecto iniciado e que, supostamente, não deve ser interrompido.

O mais comum era que a iniciativa de permanência no poder proviesse da pessoa do presidente ou líder do país. Zine el-Abidine Ben Ali, da Tunísia, Muammar Qaddafi, da Líbia, Hosni Mubarak, do Egipto, e Robert Mugabe, do Zimbabwe, só para citar alguns exemplos, auto-proclamavam-se insubstituíveis. No entanto, todos eles sucumbiram ou pela fúria popular ou pela incompreensão das suas ambições pelos seus partidários. O que todos estes tinham em comum era a sua crença de que eles eram os únicos eruditos capazes de dirigir os destinos dos seus países. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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