O antigo director geral da Administração Nacional de Estradas, Paulo Elias, já havia alertado em Setembro de 2012, numa entrevista por nós reproduzida, que a água era o principal inimigo do asfalto.

Isso é visível na província de Gaza onde a fúria das águas destruiu vários pontos de acesso e passagem nos distritos de Chibuto, Guijá e no posto administrativo de Chaimite...

Hoje por hoje sofre-se a valer para se fazer uma viagem. Quem quer ir para Chibuto, por exemplo, deve usar forçosamente a via de Chongoene, que partindo da Macia desdobra-se em 127 quilómetros, sendo 75 do ponto de partida até ao cruzamento de Chongoene. Daqui até  à sede distrital de Chibuto são mais 52 quilómetros.

Ora, em condições normais, usando-se a via de Chissano, a distância reduzir-se-ia para uns modestos 40 quilómetros, contudo, a estrada está seriamente danificada, conforme ilustra a objectiva do repórter fotográfico Jerónimo Muianga.

A reportagem do domingo esteve no terreno e constatou que o acesso ao distrito de Chibuto, via Chissano, está interrompido na ponte da Munhuana onde o empreiteiro Nyatsi Construções improvisou uma passadeira para peões.

Embora em pontos anteriores haja danos na estrada, a Nyatsi Construções minimizou a situação para que as obras de reparação ganhassem forma.

Igual cenário é visível para quem parte de Chibuto com destino a Macia usando a mesma via. A interrupção se verifica no quilómetro 17.

No outro lado do distrito, na estrada que liga Chibuto a Chókwé, passando pelo posto administrativo de Chaimite, existe outro corte na ponte conhecida por Mobeira, segundo o chefe do posto, em alusão à morte de um cidadão natural da cidade da Beira.  

A fúria das águas fez-se sentir igualmente na ponte sobre o rio Limpopo que liga Guijá a Chókwè. Aqui, embora a estrada esteja transitável, a corrente de água levantou o asfalto criando uma espécie de terceira faixa de rodagem no passeio. Nas imediações da portagem, o asfalto emergiu como se estivesse descascado.  

 

CHAIMITE SITIADO

E PEDREIRO DÁ O EXEMPLO

O Chefe do Posto Administrativo de Chaimite, Simião Dzimba contou à nossa Reportagem que todo povoado ficou cercado de água a ponto da correnteza ter levado consigo uma vivenda de tipo três.

Mas, a situação mais crítica foi o corte da ponte de Mobeira que liga o posto administrativo a sede do distrito de Chibuto, vedando a possibilidade de mais de 30 mil pessoas circularem via terrestre.

Reza a história que depois do sucedido, as mortes se multiplicaram, por isso tiveram que realizar uma cerimónia de evocação aos espíritos para que elas cessassem.   

Como forma de minorar o sofrimento da população, Dzimba promoveu a colocação de um andaime para a travessia de peões a partir de uma conversa com um cidadão nacional de nome Norberto Mboene que reside e trabalha na área de infra-estruturas na África do Sul.

Mboene mobilizou a sua equipa, constituída por filhos, para erguer o andaime que serve de travessia. Numa primeira fase havia ideia de cobrar cinco meticais por pessoa, mas foi dissuadido de tal intenção.

Antes da montagem da travessia os peões faziam via fluvial pagando 20 meticais por passageiro e 10 pela mercadoria.

“Em Moambe, existe um corte de cerca de 400 metros, três vezes superior ao de Mobeira. Na verdade trata-se de um aterro que cedeu devido a chuva, mas abrimos um desvio para Guijá”, explicou o chefe do posto.

Chaimite tem 523 metros quadrados de área divididos em três localidades onde se registaram dois óbitos, perdas de gado bovino e caprino. Cinco mil 524 hectares de culturas e três 624 pessoas ficaram afectadas.

 

Sede de Guijá passa

para ChinhacanineAsede do distrito de Guijá, que entre Janeiro e Fevereiro  isolada

A sede do distrito de Guijá, que ficou isolada do resto da província devidos as inundações que assolarem aquele ponto do país no mês de Janeiro e Fevereiro, será transferido de Caniçado para Chinhacanine, uma localidade do posto administrativo de Mubanguene.

Os residentes de Caniçado serão repartidos entre duas aldeias que distam entre sete a oito quilómetros da actual vila-sede, nomeadamente 7 de Abril e Tomanine, num processo que deverá ter em conta a proximidade de cada um dos novos bairros com as machambas da população a ser reassentada.

A nova sede de Guijá situar-se-á a pouco mais de 25 quilómetros da actual sede distrital.

A vila-sede de Caniçado está ligada a Chókwè através de uma ponte sobre o rio Limpopo, inaugurada em 2007, agora com o asfalto arrancado pela fúria das águas.

Certos pontos da via de acesso a Chibuto continuam intransitáveis devido a cortes na estrada e desabamento da ponte, várias infra-estruturas destruídas, entre elas casas, escolas e hospitais, sendo o mais afectado, o Serviço de Saúde Mulher e Acção social.

De acordo com Secretária Permanente do distrito, Argentina Manhique, a transferência do poder de Caniçado para Chinhacanine será gradual, mas o plano de reestruturação do distrito deve estar pronto até ao fim deste trimestre, abrindo caminho para que a população comece a erguer as novas casas nas aldeias 7 de Abril e Tomanine.

Tendo em conta que aquando da invasão da água, entre a noite de 22 e manhã de 23 de Janeiro, toda área habitacional de Caniçado ficou inundada. A ideia, segundo as autoridades locais, é transferir a totalidade das 2 030 famílias que residem na actual vila-sede.

Argentina Manhique foi clara ao afirmar que o Estado não irá construir casas para ninguém. Cada família vai receber um talhão e, de acordo com a sua capacidade financeira, deverá erguer a nova habitação, podendo ser de material precário numa primeira fase.

A ajuda que as autoridades vão providenciar é a disponibilização de meios de transporte para a população interessada ir as zonas de corte de caniço e estacas para a construção de novas residências.

Ajuntou que o plano de reestruturação envolve custos avultados que vão levar anos e milhões de meticais para que se concretize, mas não tem outra saída, explicou a nossa entrevistada.

Dados disponíveis indicam que em Guijá nove pessoas perderam a vida em resultado das inundações, entre eles uma mãe parturiente.