O número de reassentados em Chiaquelane, centro de acomodação criado na província de Gaza para acolher vítimas das cheias e inundações no distrito de Chókwè, reduziu drasticamente de 60

 mil pessoas em finais de Janeiro para menos de mil na semana finda.

 

Deste modo, e apesar deainda prevalecer a situação de emergência, com o alerta vermelho ainda activado, as autoridades do distrito de Chókwé decidiram iniciar , no passado dia 1 de Março, o processo de desactivação daquele centro de acomodação para , dentre outros objectivos, evitar situações de ociosidade nas pessoas. 

Segundo o Administrador de Chókwè, Alberto Libombo, a partir de certo momento, verificou-se que os reassentados apenas permaneciam naquele centro para beneficiarem de mantimentos quando podiam dedicar-se a outras actividades e normalizar as suas vidas.

“Verificamos que as pessoas estavam a tomar Chiaquelane como uma fonte para obtenção de alimentos, não propriamente como um centro de acomodação numa situação de emergência”, explicou o nosso entrevistado, acrescentado que onde busca-se alimentos gratuitamente emerge a ociosidade.

domingoconversou com Ernesto Massinge, agricultor, que garantiu que continua em Chiaquelane apenas para receber uma parcela, num lugar seguro, onde vai erguer a sua futura casa.

Massingue é chefe de família, sendo que a esposa e filhos já regressaram ao 3º bairro da cidade de Chókwè, com a finalidade de proceder à limpeza da casa e possibilitar que as crianças retornem à escola.

Uma vez que trabalha com a terra, vislumbra poucas alternativas de trabalho actualmente, pois deve aguardar que os solos estejam em condições para a sementeira , não obstante o Governo distrital ter iniciado a distribuição de sementes tendo em conta a campanha agrícola que se avizinha.

Outro entrevistado é Adérito Uamusse, professor na cidade de Inhambane, embora seja natural de Chókwè. Contou que quando soube das inundações, e porque mantém a esposa e filhos na sua terra natal, decidiu rumar para Chiaquelene para tomar pulso da situação e ajudar a família.

Devido à situação calamitosa em que se encontravam, alojados debaixo de uma árvore, sem tenda nem lona, decidiu permanecer junto à família , deixando para trás o trabalho, o que deixou uma turma sem professor.

Em entrevista ao domingo demonstrou a sua preocupação, sublinhando: “não sei o que está a acontecer no trabalho. Suspeito que não me vou livrar das faltas, contudo jamais deixaria a minha família numa situação calamitosa”.

Sua esposa e filhos já retornaram a Chókwe.