O presidente venezuelano Hugo Chávez que morreu na última terça-feira , aos 58 anos, devido a complicações respiratórias, após cirurgias para a retirada de tumores cancerígenos, será embalsamado e depositado no Museu da Revolução em Caracas. Até ontem, o corpo de Chavez continuava em câmara ardente.

Desde junho de 2011, ele lutava contra um tumor maligno na região pélvica. Em Novembro de 2012, Chávez seguiu para Havana, capital cubana, para sua quarta cirurgia, após a qual desenvolveu alguns problemas respiratórios.
Hugo Rafael Chávez Frías governava a Venezuela desde 1999, quando foi eleito pelo Movimento V República com 56 porcento dos votos, pondo fim a quatro décadas do domínio de apenas dois partidos. Com um discurso duro contra as elites do país, ele se apegava à imagem de Simón Bolívar, líder da independência venezuelana. O governante declarava colocar em prática a Revolução Bolivariana, cujo objectivo seria construir o "socialismo do século XXI".

Chávez gozava de alta popularidade e, em Outubro último, havia sido reeleito  para seu quarto mandato. Antes de viajar para Cuba para sua última cirurgia, ele fez um pronunciamento pedindo à população venezuelana que apoiasse o vice-presidente e chanceler Nicolás Maduro.

Pela Constituição Venezuela, com a morte do presidente antes de sua posse, assumiria o atual presidente da Assembleia Nacional e novas eleições deverão ser convocadas. A disputa deve colocar como adversários Maduro e Henrique Capriles, que perdeu as últimas eleições para Chávez.
Na última sexta-feira, vice-presidente Nicolas Maduro foi empossado como presidente interino da Venezuela.

ENTRE GREGOS E TROIANOS
 

As decisões políticas e administrativa tomadas por Chávez causaram uma polarização na opinião da população do país e da comunidade internacional. Logo no seu primeiro ano de governo, Chávez organizou um referendo que lhe permitiu convocar uma Assembleia Constituinte. Uma nova Constituição foi elaborada, outorgando mais poderes ao presidente e ao Estado, e criando espaços para manifestação popular. A proposta também previa a possibilidade de reeleição indefinida e um plebiscito, no meio do mandato, para que a população avaliasse e eventualmente destituísse o presidente. Com o apoio de 71% da população, a carta magna foi aprovada por meio de um referendo.

Com uma ampla base de apoio no Congresso, Chávez apostou no fortalecimento do Estado e na exploração do petróleo para aquecer a economia do país, interrompendo o processo de privatização da estatal Petróleos de Venezuela (PDSVA). Ao mesmo tempo, obteve apoio para aprovar uma nova lei na qual todas as atividades da indústria pretrolífera deveriam contar com a presença majoritária da PDVSA e aumentou o percentual dos royalties do petróleo destinados ao Estado.

A medida foi o estopim para uma reacção da oposição. Articulada com militares de alta patente e com a mídia tradicional local, os adversários de Chávez realizaram uma tentativa de golpe em 2002. Após 48 horas, os aliados do presidente conseguiram retomar o Palácio de Miraflores, sede do governo. Desde então, a disputa entre situação e oposição se tornou mais pacífica, embora não menos acirrada, sobretudo nos períodos eleitorais.

DESENVOLVIMENTO SOCIAL


A principal política social para redução das desigualdades girou em torno das missões bolivarianas, que levam saúde, educação e alimentos a regiões mais pobres. Com essa iniciativa, a Venezuela obteve melhorias nos índices de desenvolvimento social e foi reconhecida em 2005 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como um país livre de analfabetismo.

Chávez fundou ainda o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) com o objectivo de aglutinar, em uma só sigla, as forças que apoiavam o governo. Na América do Sul, o líder venezuelano tinha como principais aliados e parceiros Brasil, Bolívia, Argentina, Uruguai e Equador, num contexto em que esses países elegeram governos de esquerda e centro-esquerda. Actualmente, a Venezuela passa por um processo de incorporação ao Mercosul.

REACÇÕES

O cineasta norte-americano Oliver Stone, que produziu um filme sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seus aliados da esquerda, disse que o líder bolivariano foi "um grande herói para a maioria de seu povo e aqueles que lutam em todo o mundo".

Já o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, enviou condolências à Venezuela e à família de Chávez, ao dizer que ele "deixou uma impressão duradoura sobre o país e mais amplamente durante seus 14 anos como presidente".

Por sua vez, o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, disse esperar que a morte de Chávez traga a esperança de um futuro melhor ao povo venezuelano. "Neste momento chave, espero que o povo da Venezuela possa agora construir para si um futuro melhor, mais brilhante com base nos princípios da liberdade, democracia, Estado de direito e respeito aos direitos humanos", disse Harper, em nota.

O governo do Equador planeja declarar três dias de luto para marcar a morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou o presidente Rafael Correa. "Nós perdemos um revolucionário, mas milhões de nós permanecem", disse Correa, um aliado próximo de Chávez.

Ele acrescentou que a morte de Chávez é uma perda para toda a América Latina.

Na Nicarágua, nação amplamente beneficiada pelo petróleo da Venezuela, Rosario Murillo, esposa e porta-voz do presidente Daniel Ortega, disse que Chávez é "um dos mortos que nunca morrem".