O Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD), vulgo “Sete Milhões”, foi concebido tendo em vista a produção de comida, criar rendimentos e postos de emprego. Para este ano, o Distrito de Boane recebeu perto 

de dez milhões de meticais.

Segundo ficamos a saber, o Conselho Consultivo analisou e aprovou 53 projectos, nomeadamente 29 para agricultura, dez para pecuária, 11 para pequenas indústrias e 22 para serviços de comércio, de onde resultou a criação de 275 novos postos de emprego. Deste número, 28 programas foram para jovens.    

“Estamos satisfeitos porque os fundos trouxeram uma outra dinâmica no distrito. Vemos o resultado na própria vida da população, a título de exemplo, é difícil hoje em dia andar por Boane e encontrar uma palhota de capim. As casas passaram a ser construídas usando-se blocos e cimento. Este já é um passo. Se apanhar uma de capim é por causa da tradição, mas mesmos estas, ao lado já têm blocos”, assegurou Cavele.

Apesar das benfeitorias que o fundo tem feito, o problema dos reembolsos continua. O grande desafio para o governo local é fazer com que os mais de 50 milhões de meticais alocados sejam devolvidos, uma vez que a ideia é que o valor seja rotativo.

Segundo ficamos a saber, dos 50 milhões alocados, mais de 38 milhões de meticais já deviam ter sido reembolsados. No entanto, foram devolvidos apenas cinco milhões, sem contar com os programas aprovados este ano.

Os casos bicudos, segundo Cavele, estão nos projectos financiados nos anos 2006, 2007, 2008 e 2009. Desde então, a dinâmica tem sido outra. Nessa altura, tanto as comunidades, bem como as autoridades locais não haviam ainda percebido a filosofia do fundo.

“Explica-se porque era um projecto novo e foi feito sem muita sustentabilidade naquela altura. Com a experiência que adquirimos e as formações que foram dadas aos beneficiários, a percepção melhorou bastante e isso ajudou a atingir os objectivos dos sete milhões”, disse o administrador de Boane.

Actualmente, o Conselho Consultivo de Boane está a formar equipas para trabalhos de visitas rotineiras aos mutuários, com vista a recuperar o valor que ainda está nas mãos da população.

A título de exemplo, até Outubro de 2011, os mutuários de Boane tinham devolvido cerca de dois milhões de meticais. No mesmo período, no presente ano, foram já reembolsados mais de três milhões.

“Houve um trabalho grande de formação e por isso começamos a ter resultados. Em 2006, acredito que alguns projectos tenham sido feitos sobre o joelho e sem muita sustentabilidade. Em outros houve desvio de aplicação”.