O distrito de Boane tem registado um enorme crescimento, tanto em termos de infra-estruturas habitacionais, como no número de habitantes. A cada dia que passa “nascem” mansões. 

O governo local garante que parte desta evolução está ligada aos “sete milhões”. Apesar do visível desenvolvimento, quem anda por ali percebe que as vias de acesso estão um caos, situação agravada pelas últimas chuvas. A única estrada asfaltada é a Nacional Número dois (EN2) que passa pelo meio da vila-sede.

Em 1997, no distrito de Boane, localizado há cerca de 35 quilómetros da cidade de Maputo, residiam apenas 60 mil habitantes. Em 2007, este número subiu para 102 mil, segundo o censo realizado naquele ano. Entretanto, as últimas projecções dão conta que actualmente residem naquela área cerca de 130 mil.

O resultado disso é que as coisas começam a ficar apertadas, pois a cada dia nascem todo tipo de infra-estruturas, mansões de todo o tipo e tamanho. Até ai, não há nenhum problema. A coisa começa a ficar “feia” quando se começa a notar que alguns serviços essenciais não chegam para todos, porque foram projectadas para um determinado número de habitantes… números entretanto superados.

Por essa razão, há problemas no abastecimento de energia eléctrica, água e o mais grave de todos, as vias de acessos encontram-se totalmente degradadas, exceptuando a Estrada Nacional Número 2 (EN2), que “corta” a vila e a que vai até a Barragem dos Pequenos Libombos. Quem quer ir ao interior deve “lutar” com as estradas maltratadas e ou de terra abatida.

Dados em nosso poder indicam que são mais de 230 quilómetros que precisam de intervenção urgente, sobretudo depois das chuvas que se tem verificado nas últimas semanas. É que a locomoção tornou-se deficitária e, na maior parte, precisa de carro com tracção às quatro rodas.

O distrito recebe anualmente cerca de dois milhões de meticais, um fundo que para Zeferino Cavele, administrador de Boane, não é suficiente para a manutenção de estradas, pois esta é muito onerosa, pior ainda quando tem que lançar concursos públicos.

“Todas as estradas estão com problemas, o que cria certas fragilidades, particularmente na circulação de pessoas e bens. Sugerimos no Conselho Consultivo que se comprasse um tractor e uma pá niveladora para intervenções básicas”, referiu.

Na tentativa de se resolver o problema, este ano, por exemplo, fez-se a manutenção de cerca de quinze quilómetros de estrada de terra batida, que consistiu em passar uma pá niveladora e tapamento dos buracos que existiam. A ideia é definir as vias prioritárias, tendo em conta aspectos como o escoamento dos produtos agrícolas, a circulação dos alunos e trabalhadores.