António Muchanga, membro da Renamo e do Conselho do Estado, reiterou, quinta-feira última, em Maputo, a posição do seu partido de “inviabilizar a realização das eleições autárquicas” 

aprazadas para 20 de Novembro do ano em curso.

Falando ao domingo, quinta-feira última, em Maputo, Muchanga, que já foi deputado na anterior legislatura pela bancada da Renamo, afirmou que a única maneira de o governo e o partido no poder evitarem arrastar o país para uma crise política sem precedentes é “ aceitarem acomodar as exigências da Renamo no que diz respeito a integração dos seus representantes na nova Comissão Nacional de Eleições (CNE) na base de paridade com os representantes indicados pela Frelimo”.

Se isto não acontecer não haverá eleições autárquicas a 20 de Novembro próximo. Podem ter a certeza disso,ameaçou Muchanga desvalorizando em seguida o facto do Parlamento ter já aprovado um novo pacote eleitoral que preconiza proporcionalidade parlamentar na CNE e não paridade, como vem reivindicando o partido da perdiz.

António Muchanga considera inconcebível que a nova legislação eleitoral preconize que a sociedade civil tenha 3 membros na CNE contra 2 da Renamo quando “ todo mundo sabe que a nossa sociedade civil é frágil e é manipulada pelo partido Frelimo”.

É por isso que nós defendemos que a Frelimo e a Renamo devem ter o mesmo número de membros na CNE.   Veja-se o caso do Conselho de Estado, e veja-se quem representa a sociedade civil lá. Aqueles que deviam ser indicados pelo Presidente da República em representação da sociedade civil foram indicados pelo partido Frelimo e o contrário também é válido. Não pode aparecer um Dom Dinis Sengulane ou DR. Brazão Mazula no Conselho do Estado a dizerem que representam a sociedade civil quando foram indicados pelo partido Frelimo, referiu Muchanga.

Num outro momento, António Muchanga disse que a Renamo tentou em vão aproximar-se ao governo para dialogar em torno deste e outros assuntos que apoquentam o seu partido “ e que podem perigar a paza e democracia no país mas a Frelimo resolveu mandar o Ministro da Agricultura, José Pacheco, que em nenhum momento mostrou predisposição para negociar a sério mas sim para sabotar as negociações”. 

Em face disso, nós vamos inviabilizar a realização das eleições. Não irá circular nenhuma urna ou material eleitoral em nenhuma parte deste país. A Frelimo se quiser que realize as eleições autárquicas mas depois verá as consequências disso, vamos paralisar tudo. Se querem ver para crer é só realizarem as eleições, reiterou António Muchanga.