Secretário-geral da Frelimo, Filipe Phaunde, que ontem visitou a Matola, considera que a moção não tem efeitos suspensivos mas pode afectar a sua reputação

Os membros do Comité da Frelimo na cidade da Matola aprovaram recentemente uma moção de censura contra a governação de Arão Nhancale facto inédito no conjunto de todas as autarquias que estão sob gestão de edis filiados ao partido no poder. Na verdade tratou-se de uma “cartolina amarela” exibida a Nhancale e seu elenco.

 

Segundo fontes do domingo, a referida moção de censura expressa, na verdade, a crise de relacionamento que se vem arrastando faz algum tempo entre o Edil, Arão Nhancale, e boa parte dos seus “camaradas” que integram o Comité da Cidade da Matola onde alegadamente “raras vezes o Presidente do Município se dava ao trabalho de participar das suas actividades rotineiras”.

A moção foi apenas o estoiro. Mas a atmosfera que se vem vivendo aqui na Matola não é das melhores. Não me peçam para apontar culpados. A realidade é esta. O Comité da Cidade e o Presidente do Município entraram em rota de colisão, asseverou fonte credível ligada ao partido Frelimo e que, por sinal, milita naquele comité.    

Aliás,o Secretário -Geral da Frelimo, Filipe Phaunde, que iniciou sexta-feira última uma visita de trabalho à província de Maputo e que o levará a escalar sucessivamente Matola, Namaacha Manhiça, classificou o gesto tomado pelos seus “camaradas” da cidade da Matola como sendo a expressão inequívoca do “seu descontentamento em relação a maneira como está sendo gerida aquela autarquia”.

No entanto, Phaunde ressalvou que esta moção de censura não tem efeitos vinculativos uma vez que o Presidente do Município da Matola, Arão Nhancale, foi eleito pelos munícipes. Mesmo assim, o SG da Frelimo, admitiu que a moção de censura acaba beliscando a confiança que havia sido depositada no edil da Matola.

“A atitude expressa a democracia vigente no partido, aliás, foi o próprio comité que lançou o seu nome (do Arão Nhancale) e suportou a campanha até ele ser eleito pelos munícipes. Não tem efeitos suspensivos, mas não é bom sinal uma vez que acaba beliscando a sua reputação”,disse Phaunde.

Questionado sobre que decisão a direcção do partido iria tomar em face do sucedido, Phaunde disse que era prematuro tecer considerações a esse respeito neste momento, uma vez que ainda não havia se reunido com o comité local.

Mas tudo indica que Arão Nhancale irá continuar na presidência do Conselho Municipal até ao fim do seu mandato, embora alguns sectores de opinião considerem que ele até pode vir mesmo a renovar o mandato não obstante toda celeuma que gira em seu torno.

A propósito disso, Filipe Phaunde disse que tais opiniões eram fruto de “mera especulação. Temos órgãos competentes que podem se pronunciar sobre assuntos desta natureza pelo que vamos dar tempo ao tempo.   

Importa referir que o SG da Frelimo fez estas declarações no âmbito da visita que vem efectuando à província de Maputo, desde sexta-feira e que hoje termina, no âmbito do acompanhamento do grau do cumprimento do manifesto eleitoral, Plano Económico Social, divulgação das decisões do X Congresso, entre outros.