Acompanhou o processo que antecedeu as rondas negociais que culminaram com a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP), a 4 de Outubro de 1992, em Roma, Itália. Hoje é representante da Comunidade de Sant’Egidio, em Moçambique, entidade que acolheu as chefias das delegações do Governo e da Renamo, principais protagonistas.
Trata-se do padre Rolando Curzi, que, em entrevista ao domingo, fala dos momentos marcantes das negociações que culminaram com o AGP, rubricado pelo então Presidente da República, Joaquim Chissano, e pelo falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama.
Trinta e quatro anos depois, o padre Rolando diz que o AGP foi um acordo importante para o restabelecimento da paz em Moçambique, após a guerra civil que durou 16 anos, com cerca de um milhão de mortes e mais de 4 milhões de refugiados.
Sublinha que, com a assinatura deste acordo, Moçambique deu uma grande lição ao mundo de que todas as guerras terminam com o diálogo, apelando aos países em conflito a se inspirarem na experiência moçambicana de resolver as diferenças através das conversações.
“Uma das lições deste processo e que deve estar na mente é que a paz é sempre possível. Nunca se pode renunciar, porque essa situação de guerra em Moçambique, que demorava 16 anos, que parecia impossível, só se resolveu quando os antigos beligerantes decidiram sentar à mesma mesa e falar a mesma língua”, explica, acrescentando que todos os cidadãos devem trabalhar para que haja paz.
Explica ainda que “a verdade é que a paz é sempre possível. E que, se é verdade que hoje quase todos podem começar uma guerra, é verdade também que todos podem trabalhar pela paz”.
Aquele prelado apela aos moçambicanos, sobretudo, à juventude nascida após a assinatura do AGP, a não perderem de vista as principais lições deste acordo. “Muitos destes jovens não conheceram o que foi o horror da guerra. Então, é muito importante. E é por isso que nós, da Comunidade de Sant’Egidio, por exemplo, estamos nas escolas, universidades, a dar palestras, a contar o quanto foi sinuoso o processo negocial que culminou com a assinatura do AGP, mas, sobretudo, para que eles saibam o que significaram os malefícios da guerra”. Leia mais…


