O músico moçambicano radicado na cidade da Beira, Jorge Mamad, poderá lançar no segundo semestre deste ano o seu novo disco intitulado Chipuere, que em sena (uma das línguas faladas em Sofala) significa capoeira. O trabalho contará com dez faixas. Este será o quarto trabalho a solo do artista.
O disco, a ser lançado este ano, ainda não foi gravado. Em conversa com domingo, o músico prometeu proceder a gravações ainda no semestre em curso, sendo que neste momento está a procura de financiamento.
Para concretização deste projecto o músico reunir-se-á nos próximos dias com o produtor António Camacho para, dentre vários pontos, discutir sobre a data do início do processo de gravação.
“Já faz muito tempo que não apareço com novo produto. Gostaria tanto de gravar um novo disco para os meus fãs continuarem a ouvir a minha voz”, referiu Jorge Mamad.
Falando ainda sobre a reunião com António Camacho, recordou que deveria ter acontecido nos meados do ano passado, mas isso não se efectivou porque o produtor estava envolvido nas gravações com outros músicos da cidade da Beira, dos quais o falecido Madala.
Em relação ao tema do novo disco o nosso entrevistado disse que pretende dizer aos seus fãs e ao povo moçambicano que “mesmo existindo muitas galinhas numa capoeira, há sempre um galo que ordenada”.
Explicou que esta mensagem vem na sequência da tensão político militar vivida na província central de Sofala. “Procuro encorajar as pessoas que é preciso haver diálogo. E num grupo de muitos sempre tem que existir um que dá a voz de comando. Então temos que respeitar a ordem deste”, explicou.
Entretanto, num outro desenvolvimento, deu a entender que está nos seus planos deste ano a gravação de um DVD ao vivo que contará com músicas por si cantadas nos anos anteriores. A ideia concretizar-se-á quando a Casa de Cultura da cidade da Beira estiver em condições.
Recorde-se Jorge Mamade é autor da famosa musica Kulota Kwanga que em sena quer dizer o meu sonho. Na música o artista procurava trazer a mensagem de que a Linha Férrea de Sena dava muita falta e que havia necessidade de ser reabilitada para permitir a circulação de pessoas e bens para diferentes partes da região centro país.
“HÁ QUEM DIZIA
QUE TINHA HIV/SIDA”
O lançamento do próximo disco do artista ocorrerá após longo período de ausência nos palcos devido a uma doença que por pouco lhe tirava a vida.
O próprio músico lembra muitas pessoas davam-no como acabado, especulando, às vezes, que estava contaminado pelo HIV.
Explicou que na verdade tinha uma pedra na vesícula que lhe obrigava a fazer necessidades maiores 30 minutos depois de cada refeição.
“Lembro-me que foi em 2006 que tive esse problema. Só me via a emagrecer, mesmo passando todas as refeições. Depois de muitas análises me encontrei com um médico no Hospital Central da Beira e disse-me que havia a possibilidade de fazer uma operação por via de endoscopia,portanto sem ter que abrir a barriga”,explicou.
Depois deste processo o músico foi obrigado a seguir uma dieta rigorosíssima até a cura.
Abibo Selemane
habsulei@gmail.com