O Professor e Escritor moçambicano Francisco Noa é o vencedor do prémio literário BCI- Associação dos Escritores Moçambicanos, edição 2014, através da obra Perto do Fragmento, a totalidade: olhares sobre a Literatura e o mundo.
O prémio BCI-AEMO é atribuído às melhores obras de cada ano. E o júri constituído por Jorge Oliveira (Presidente), Aurélio Cuna e Hélder Faife, analisou várias obras editadas ano passado e considerou a obra de Francisco Noa como a melhor, o que dá direito ao autor, um prémio no valor de 200.000,00 MT (Duzentos mil meticais).
Surpreso e emocionado, Fracisco Noa, fez-se ao pódio quando anunciado vencedor da quinta edição. “ Este prémio é uma situação absolutamente inédita. Não é um reconhecimento à minha pessoa. É mais do que isso. Reconhece-se o género pouco divulgado, pouco cultivado, que é o Ensaio”.
Caracterizando objectivamente o género, Noa disse que o mesmo levanta problemas de conceito e pode ser visto de várias formas. “Podemos ter um Ensaio Histórico, Literário, o que tem vincado mais. E este género baralha o leitor que questiona se é Literatura ou Para-Literatura. O equilíbrio a ter para extrairmos algo que seja lido depois, é vasto”, disse Noa acrescendo que existem muitos jovens universitários com talento, almejando que o prémio os estimule.
Francisco Noa é Doutorado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa (2001); Professor de Literatura Moçambicana – Literatura Geral e Comparada; Poética e Retórica, na Universidade Eduardo Mondlane, desde 1992;
É igualmente Pesquisador e Director Executivo do Centro de Estudos Sociais Aquino de Bragança (CESAB); Professor convidado e orientador de teses de licenciatura, mestrado e doutoramento, em universidades nacionais e no estrangeiro;
Noa é autor dos seguintes livros: Literatura Moçambicana: Memória e Conflito (1997); A Escrita Infinita (1998); Império, Mito e Miopia – Moçambique como invenção literária (2002); A letra, a sombra e a água (2009); Perto do Fragmento, A Totalidade – Olhares sobre a Literatura e o mundo (2014) – Obra vencedora do Prémio BCI de Literatura – Edição 2014.
ESTE PRÉMIO É DOS ESCRITORES MOÇAMBICANOS
– Paulo Sousa, PCE do BCI
Paulo Sousa, Presidente do Conselho Executivo (PCE) do Banco Comercial e de Investimentos (BCI) , procedeu a entrega do prémio literário, quinta edição. Dirigindo-se aos presentes na Mediateca, lugar que acolheu a cerimónia de anúncio e entrega, Paulo Sousa disse que o prémio é dos escritores. “Oiço muita gente dizer que o prémio é do BCI. Acho que o prémio é dos escritores moçambicanos, pois sem os que escrevem, o prémio não existiria. Todavia, a grande responsabilidade do nosso banco passa por contribuir para a divulgação da alma e do orgulho moçambicanos. E que melhor do que a cultura para espelhar a alma, o espírito e o orgulho de um povo? Seguramente nenhuma outra vertente terá tanto peso na identidade de Moçambique”.
Instituído em 2010, o prémio já foi entregue aos escritores João Paulo Borges Coelho, Adelino Timóteo, Eduardo White, Ungulani Ba Ka Khosa.
Paulo Sousa disse que o BCI associou-se à iniciativa de premiar os escritores com dois objectivos. “ Fizêmo-lo sobretudo com o propósito de estreitar a nossa relação com a associação que representa os escritores deste país, uma instituição de reconhecida relevância e prestígio na sociedade moçambicana; contribuir de forma activa para a promoção da Literatura moçambicana, através da publicação de obras literárias, estimulando e incentivando hábitos de leitura entre a população”.
OS TEXTOS DA OBRA SÃO UMA
APRENDIZAGEM INTELECTUAL
– Jorge de Oliveira, presidente do júri
O Presidente do Júri, Jorge de Oliveira, afirmou que a Perto do Fragmento, a totalidade: olhares sobre a Literatura e o mundo é uma obra que, conforme elucida o subtítulo (Olhares sobre a literatura e o mundo), reúne as reflexões do autor. “ Primeiro: o fenómeno literário nacional e universal, principalmente, na vertente da teoria e da crítica. Saliente-se, aqui, o facto de que, em toda e qualquer instituição literária, a teoria e a crítica desempenham, ao lado de outros sectores como a escola, a imprensa, um papel de relevo na produção, recepção, ensino-aprendizagem, divulgação e valorização da literatura; Segundo: reflexões sobre o mundo em sua volta, cumprindo, deste modo, diversas funções, das quais, destacamos as seguintes: pedagógica (encontramos, na obra, textos que constituem verdadeiros espaços de aprendizagem do exercício intelectual); social (os temas e os motivos subjacentes aos textos componentes da obra focalizam a efervescência do tempo passado, presente e futuro da sociedade, sobretudo, a moçambicana); epistemológica (são textos que fazem apelo ao conhecimento, em lato senso)”.
Fundamenta o jurado que na obra estão coligidos muitos saberes, uns particulares outros universais; uns teóricos, outros práticos, uns empíricos, outros científicos, representados com inquestionável esmero linguístico e intelectual. “São saberes que, pelo seu papel no universo literário e pelas funções na esfera social constituem uma fonte de referência, no exercício da formação do cidadão”.
Por último esclarece que o Ensaio é um género que se caracteriza por exigir fineza na observação, na análise e interpretação do mundo tangível ou intangível. Exige, igualmente, elevada capacidade crítica e comprovado domínio da língua.
Frederico Jamisse