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A música escolheu-me

Por Jornal domingo
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– Radjha Ally, em entrevista ao domingo

TEXTO DE NEYMA DE JESUS NEYMA

jesus@snoticias.co.mz

O talento para a música manifestou-se na sua vida desde a meninice, porém, só adulto, depois de incontáveis sinais, finalmente assumiu o seu destino. Chama-se Radjha Ally e faz parte dos nomes mais destacados, actualmente, no universo musical moçambicano. Canta que é uma beleza, dança maravilhosamente e torna as suas apresentações memórias marcantes para quem o vê actuar.

Natural da província de Nampula, a sua música baseia-se em ritmos regionais e dança tradicional, com destaque para o tufo. Lançou o seu primeiro álbum no ano passado, mas, muito antes disso, já passeava em palcos internacionais.

Nas linhas que se seguem, domingo conversa com o artista.

Radjha, o seu contacto com a música deu-se ainda na infância. Quando é que percebeu que poderia fazer carreira?

Na verdade, eu nunca sonhei em levar a música como carreira. Sempre gostei de cantar, desde pequeno. Cantava em casa, depois comecei a cantar na igreja, na época, em Nampula. Depois aprendi a tocar guitarra com uns profissionais de música de uma outra igreja. Mais tarde, colocaramme como líder do louvor. Em 2005, vim para Maputo para cumprir o serviço militar obrigatório, passei por uma formação na Escola Nacional de Música das Forças Armadas, lá tive a primeira aula de canto e dança, aprendi a ler partitura… findo o serviço militar, entrei no Instituto Canzione, uma escola ministerial de música virada para cristãos, onde me aprofundei sobre música, principalmente na área de canto, até fui contratado para dar aulas, mas, mesmo assim, não havia decidido seguir carreira.

Mas foi parar na ECA…

Por uma simples razão: procuro muito saber fazer bem aquilo que gosto. Então, fui me formar em música, depois da licenciatura em Teologia porque, como líder do louvor, queria conciliar e louvar com excelência o Deus para o qual canto. E, como sempre me senti um artista performativo, no terceiro ano da faculdade escolhi essa vertente. Gosto de palcos. Mas tinha receio de seguir carreira.

Como assim?

Na igreja, cantar algo que não fosse louvor era pecado. Aí, partilhei o meu receio com um amigo missionário, cristão e evangélico. Ele perguntou-me por que queria fazer faculdade de música se não queria trabalhar naquilo. Consciencializou-me que, conforme vem na bíblia, cada trabalhador é digno do seu trabalho, que cantar sobre amor e união não era pecado… então caí em mim. Na altura, trabalhava como chef. Abri mão disso e fui fazer faculdade, mas, antes disso, já recebia propostas para ser produzido e não aceitava. Porém, em 2020, participei e venci o “Vozes que Encantam” e, pronto, comecei a receber propostas e a ganhar dinheiro. Enfim, só me vi no mundo da música, não foi uma coisa programada, aconteceu naturalmente, por isso digo que a música me escolheu.

O universo a conspirar a favor… Tem uma forma de se apresentar super peculiar. Como é que cria a sua imagem e como concebe os espectáculos?

É uma coisa natural. Esse coque… nunca apreciei careca, sempre gostei de cabelo afro, quando o meu cabelo já estava grande, decidi fazer dreads, e com esse coque acabei criando a minha identidade, a minha marca. Sobre espectáculos, gosto de fazer “show” e cada “show” é um “show”, não pode parecer com o outro. Desenho, imagino e monto coisas na minha cabeça, mas nunca sai exactamente o que quero em palco, há coisas que não posso, por falta de recursos. Leia mais…

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