António Niquice lançou semana passada o livro “Economia do Cajú em Moçambique: O contexto das Políticas de Bretton Woods e os Pressupostos da Engenharia de Reindustrialização”. Formado em Economia pela UEM, diz que o sector do caju pode ser a chave para reposicionar Moçambique como “gigante” continental e do mundo. Refere, entretanto, que há etapas neste processo. As políticas do FMI não podem ofender as soberanias dos estados.
A seguir a entrevista em discurso directo.
Qual é a principal mensagem que transmite no livro?
A mensagem principal assenta no paradoxo do valor. Nós sabemos que Moçambique, na década 70, foi o maior produtor mundial da castanha de caju, com cerca de 200 mil toneladas por ano. Entretanto, não é apenas à produção que nos referimos. É também sobre como produzir muito e continuar a ganhar pouco. Estamos a tratar aqui do processo de reindustrialização. A nossa tese fundamental é assegurar que o país volte a ocupar o seu lugar nesta “commodity”, que é um activo importante, mas garantindo que esta produção seja transformada internamente. Estamos a abordar a questão da transformação, da industrialização, evitando a exportação em bruto. É preciso assegurar que haja uma indústria de transformação, processamento local e não transferir para outros mercados o que teríamos em termos líquidos em toda a cadeia de valor. Deste modo teríamos maiores ganhos. Porque quando exportamos matéria-prima, castanha de caju neste caso, para a Índia, em bruto, depois ela vem com um selo “Made in India”, algo que produzimos aqui.
Isso significa que estamos a transferir para outros mercados etapas mais lucrativas do processo da cadeia de valor. Esta é que é a mensagem fundamental.
Isso também acontece com outros produtos de importância estratégica para o país…



