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Os retratos sociais e a alegoria dos nomes em “Outras coisas”, de Clemente Bata

Por Jornal domingo

Por Aurélio Cuna*

Se os títulos das obras funcionam como chaves de leitura, “Outras Coisas”, título do segundo livro do jovem contista Clemente Bata, parece-me avesso a essa função. Primeiro, a ambiguidade que caracteriza o substantivo “coisa”: coisa é tudo o que existe ou pode existir real ou abstratamente, é facto, circunstância, condição, assunto, mistério. Ou ainda: assuntos vários (que não se mencionam), ou seja, coisas e loisas. Segundo, o pronome indefinido “Outras” que nos remete ao diferente, ao diverso, potencia esse campo de indefinição enunciado pelo termo “coisas”.

Portanto, em vez de iluminar o caminho da leitura, o presente título conduziu-me a questionamentos: de que coisas se trata? Matéria para “outras”? Ou seja, que sentido(s) se projecta(m) no título, enfim, na obra? A resposta a estas questões reside no facto de o quotidiano dos africanos se firmar como uma ficção inesgotável, segundo refere Francisco Noa, em texto de apresentação do livro de estreia de Clemente Bata, em 2010. E isso não é casual. Leia mais…

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