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O valor do esquecimento

Por Jornal domingo

A vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la – Gabriel García Marquez

TEXTO DE BELMIRO ADAMUGY

BELMIRO.ADAMUGY@SNOTICICAS.CO.MZ

O homem luta contra o esquecimento. As pinturas rupestres são um bom exemplo. A fotografia também. Quando, entre os séculos XIII e XII aC, Thetis, a mãe de Aquiles, disse ao filho para escolher entre ficar em Atenas, fazer família e morrer de velhice, e ir a Troia, correndo o risco de morrer, Aquiles escolheu ir para a guerra. A razão era bem simples: ficando em Atenas ele seria rapidamente esquecido, mas indo para Troia, morreria certamente, mas o seu nome ecoaria para sempre. Ele escolheu ir para a guerra. Morreu, mas nós, hoje, passados tantos anos, continuamos a evocar o seu nome.

Este pequeno introito serve de pontapé de saída para a nossa marcha – já que estamos aqui para testemunhar o parto de “Kushoto Kulia”, de Daniel da Costa, a quem ocasionalmente trato por Fovolo Nada – nessa enorme volta ao passado que, no fim de tudo, como diz Gabo, nada mais é senão o que sobrou (lembrança) depois do esquecimento.

E a graça reside exactamente aqui. Na beleza do esquecimento. Quantas vezes não sorrimos sozinhos quando nos lembramos de alguma coisa? Pelo menos comigo é assim… quando viajamos no nosso interior, pesquisamos até a exaustão, quando esventramos a memória em busca de eventos na nossa memória e não as achamos, mas quando menos esperamos, elas voltam, no início difusas, depois mais claramente e finalmente palpáveis…. E aí dizemos… era exactamente isso. Leia mais…

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