GESTAÇÃO: O preço da maternidade na adolescência

Texto de Luísa Jorge
luisa.jorge@snoticicas.co.mz

A falta de consciência dos malefícios do início de vida sexual desprotegida é um dos factores que tem levado adolescentes a tornarem-se mães precocemente.Em Moçambique, a fecundidade na adolescência passou de 179 por mil mulheres, em 2001, para 167 por mil em 2011, e para 194 por mil mulheres em 2015, segundo o Inquérito de Indicadores de Imunização, Malária e HIV/SIDA (IMASIDA) de 2015.

L. Sobrinho Wassuque, 17 anos, é mãe há uma semana. A conversa com o domingo decorreu na maternidade do hospital da Polana Caniço, na cidade de Maputo acompanhada pela progenitora. Levava o filho à primeira consulta pediátrica.

A adolescente confessa que não pretendia ter filho no momento, daí que a descoberta a deixou desnorteada. “Minha irmã mais velha alertou-me das mudanças no meu corpo, mas não levei em conta. Depois fomos fazer ecografia que confirmou que estava grávida. Entrei em desespero. Não me imaginava mãe”, recorda.

A notícia desarmou a mente dos seus pais que mesmo assim a apoiaram incentivando-a a não abandonar os estudos. Está a frequentar a 10 classe. “Daqui a uma semana tenho de voltar à escola. Não posso perder muitas aulas. A minha mãe vai cuidar dele na minha ausência”, diz.

A chegada do bebé não mudou apenas a vida da adolescente, mas também a do pai do bebé, de 20 anos de idade, que para além de estudar, teve que começar a trabalhar para sustentar o menor.

 O caso da V. Nicome também é semelhante. Ficou grávida aos 16 anos. A sua gravidez não resultou de uma planificação ou escolha, daí que os meses de gestação foram de total sofrimento e culpa. “O mundo parou para mim. Fiquei desesperada e com medo, mas não podia fazer nada. Estava com quatro meses”, conta a adolescente.

 O peso da nova realidade não demorou a se fazer sentir. Teve que interromper os estudos na 9ª classe, para cuidar do filho.

Actualmente com 17 anos, o seu dia-a-dia resume-se em cuidar do bebé e dos afazeres da casa. “Minha mãe trabalha e os meus irmãos vão à escola. Fico a cuidar da casa, e para trabalhar à vontade coloco meu filho às costas”, conta.

No próximo ano pretende voltar à escola. “Quero-me formar. Ainda não sei em que área”, partilha a rapariga.

Enquanto isso, V. Nicome conta que o seu namorado e pai do bebé, adolescente de 19 anos, teve que começar a trabalhar para cuidar do filho.

A sua vida mudou completamente. “Já não posso sair para conversar com as minhas amigas como fazia antes, porque não tenho com quem deixar o meu filho”, desabafa.

Por causa da sua gravidez, A. Macie, 18 anos, enfrentou riscos de saúde e de vida para continuar com os estudos. “Quando estava no sexto mês de gestação, a direcção da Escola transferiu-me para o período nocturno,” mas ainda assim conseguiu terminar o ano.

Actualmente, A. Macie vive maritalmente e tem novos desafios pela frente. Para além de estudar, pretende começar a trabalhar para ajudar nas despesas caseiras. Hoje, o seu maior apoio vem da mãe. É com ela que conta nos momentos difíceis. “Já consigo cuidar do meu filho sozinha. Minha mãe ensinou-me muito, mas quando algo acontece que não entendo é a ela que recorro”, afirma.

Por seu turno, B. Chambule, 17 anos, vive com o marido na casa dos sogros. Numa conversa decorrida no Centro de Saúde de Xipamanine, ela explicou ter engravidado aos 16 anos e por esta razão passou a viver em casa dos pais do namorado.

Interrompeu os estudos no quinto mês de gestação. “Já não aguentava, tinha muita preguiça. Os meus pais zangaram mas estava muito difícil para mim”, afirma.

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