SAÚDE: Medicamentos que curam e matam

Os medicamentos têm o poder de cura de diferentes enfermidades, entretanto, quando tomados sem a prescrição médica ou de forma aleatória podem criar danos no organismo a ponto de levar à morte do paciente. Depois de passar a noite toda com dores de estômago”, Elina Agostinho recorreu à farmácia para comprar medicamentos. Foi aqui onde o nosso jornal a interpelou, à saída, depois da busca pelo alívio daquelas dores.

Mas um facto chamou a nossa atenção: não levava consigo a receita médica para a aquisição dos medicamentos, uma vez que não tinha ido a uma consulta médica. “Acordei tarde e receei enfrentar a enchente no hospital”, argumentou.

Elina Agostinho não escondeu que não era a primeira vez que procedia nestes moldes. Neste caso concreto, não sabia ao certo o que lhe tinha causado o mal-estar, mesmo assim acreditou que o conjunto de medicamentos que lhe foi dado na farmácia ia restabelecer a sua saúde.

A respectiva administração não era do seu entendimento, entretanto, soube dizer que “o senhor da farmácia disse-me que devo tomar o medicamento de seis em seis horas”. E quando se trata de dores aparentemente inofensivas, a atitude é outra. Por exemplo, “quando estou com dores de cabeça e tenho comprimidos em casa não recorro à farmácia”, confessou.

Anifo Alié, outro cidadão com quem o domingo conversou dentro de uma farmácia para onde se dirigiu também à procura de medicamento que o aliviasse de dores de estômago, afirmou que em nenhum momento lhe passou pela cabeça ir ao hospital por causa deste mal-estar. Ao se justificar, disse que não se sentia doente, que apenas tinha uma dor de estômago.

Com efeito, a automedicação tende a revelar-se como um hábito da nossa sociedade, de acordo com o farmacêutico e presidente da Associação dos Farmacêuticos de Moçambique (AFARMO), Lucien-Pierre Nkunda. “Automedicamo-nos com base na experiência dos outros. É só um amigo dizer que quando teve borbulhas na cara aplicou determinada pomada, que corremos para comprar o mesmo medicamento, sem sequer consultar um médico, ou seja, não temos em conta que o que causou as borbulhas pode ter sido uma causa diferente da que causou ao nosso amigo”, alertou.

Segundo o farmacêutico, este mau hábito pode ter consequências irreparáveis: “um paciente hipertenso, por exemplo, não pode medicar com altas quantidades de diclofenac, que é um fármaco anti-inflamatório, pois o seu efeito pode elevar a sua tensão arterial e pode até provocar a sua morte”, exemplificou.

Álcool e alimentos podem

inibir  o efeito dos remédios

Alguns alimentos, assim como bebidas alcoólicas e outras não alcoólicas que consumimos também podem inibir o efeito terapêutico de determinado medicamento. Este efeito é chamado de interacção, que significa alteração do efeito terapêutico do medicamento.De acordo com o nosso entrevistado, esta alteração ocorre a dois níveis, nomeadamente, farmacocinético do medicamento, onde surge a alteração no processo de absorção, distribuição, metabolismo e excreção do medicamento; e farmacodinâmico, em que a alteração dá-se no efeito curativo do medicamento.

 

Nos alimentos, esta interacção acontece porque a maior parte dos medicamentos é administrada por via oral, à semelhança dos alimentos que consumimos.

Por causa da interacção dos medicamentos e alimentos, recomenda-se que a toma de alguns fármacos seja feita em jejum. “Por exemplo, recomenda-se que se tome o omeprazol, medicamento para tratamento da gastrite, trinta minutos antes da refeição porque ele tem a função de proteger a mucosa gástrica. Caso não se cumpra esta recomendação, o alimento que ingerimos acaba inibindo o efeito terapêutico desejado do medicamento”, explicou.

Segundo o farmacêutico, o leite em algum momento também funciona como alimento de interacção antagónica com medicamentos. De acordo com Lucien- Pierre não é recomendável, por exemplo, que se tome o metronidazole e, de seguida, se consuma leite, pois este pode cancelar o efeito deste antibiótico.

Outro exemplo de incompatibilidade é relativamente ao álcool, pois este também inibe o efeito de alguns fármacos. “Um indivíduo sob efeito de álcool não pode tomar paracetamol, pois pode ser altamente tóxico, uma vez que o álcool inibe o esvaziamento do estômago, propiciando a acumulação dos resíduos do paracetamol”, aclarou o farmacêutico.

Por causa dos aspectos acima revelados, Lucien Pierre defendeu que cada família devia ter um médico ou farmacêutico que os acompanhasse como acontece noutros países.

Resistência

a medicamentos

Actualmente os países em via de desenvolvimento tendem a apresentar pacientes com um quadro de resistência a medicamentos devido à automedicação. “Já vi muitas vezes pessoas aplicarem tetraciclina oftálmica em feridas, o que é errado, pois existe uma tetraciclina própria para feridas, mas as pessoas não sabem disso”.

Por essa e outras razões, à mulher grávida não deve ser dado nenhum medicamento sem receita médica ou recomendação médica.

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Aprendizagem, amizade união e competição
domingo, 16 julho 2017, 00:00
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