Texto de Carol Banze

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Uma missa “extraordinária” foi realizada em Março, em Chaimite, após a “aparição de Ngungunhane”, em sonhos, exigindo doseu jovem xará, que reside actualmente na África do Sul, o retorno àquelas terras da província de Gaza, como seu substituto.

A almejada transferência acontecerá em data não prevista, conforme declarações de Domingos Valente Nhumaio, membro da família, numa conversa com o jornal domingo, em Junho último.

Destaque-se que Ngungunhane (Mudungazi), nascido em 1850, em Gaza, num período de instabilidade social e política, de acordo com registos da história, foi imperador de Gaza no período compreendido entre 1884 e 1895.

O seu reinado terminou quando se tornou prisioneiro de Joaquim Mouzinho de Albuquerque, em Chaimite, tendo sido levado a Portugal, onde viria a falecer 11 anos depois, em 1906.

Passadas várias décadas, em Chaimite, terra de onde foi arrancado pelos portugueses, ainda se sente a presença de um ser majestoso, ainda que invisível, através de lufadas de ar que circulam entre frestas das inúmeras árvores plantadas pela sua própria mão.

Por lá, são preservadas algumas infra-estruturas, uma das quais acolhe um poderoso muphahlu (recanto para evocação dos espíritos). 

Na verdade, de acordo com declarações de Domingos Valente Nhumaio, a existência do rei nas suas terras nunca esmoreceu, sendo que, de vez em quando, “faz aparições e passeatas em forma de cobra” por aquelas palhotas e debaixo das frondosas árvores, um dos seus espaços preferidos em vida, de onde brotam frutos dos quais se destila o famoso xicanhu (bebida feita de canhu) que, afinal, “era uma das suas preferidas”, de acordo com revelações de Nhumaio.

O património conservado é composto também de objectos pequenos em tamanho, mas de importância simbólica extra-comunal.

Destaque vai para uma almofada feita de madeira, peça comum na província de Gaza, mas que, ao mesmo tempo, se demarca das demais, pela carga histórica e humana nela incrustada.

Era nela que Ngungunhane encostava a sua nuca e pensava em estratégias relativas à preservação das suas terras, da sua cultura, das suas gentes, assegurou o seu familiar.

Outro artigo ali preservado, cujas dimensões condizem com o tamanho do homem destemido e augusto, é uma enorme gamela onde eram servidos os seus alimentos.

Sobre preferências gastronómicas, Domingos Nhumaio pouquíssimo soube avançar. Entretanto, falou com convicção do tecido preto ali guardado, já esmaecido pelo decorrer de várias e longas décadas, “usado pelo rei em cerimónias de evocação dos seus antepassados”.

Igualmente conservados estão as peneiras, enxadas, lanças de ferro e de madeira… e dois ndukus (cajados), que, por sinal, aparecem em algumas imagens registadas de Ngungunhane.

Actualmente, algumas destas peças são usadas para evocar o espírito do próprio imperador, acto que, de acordo com Nhumaio, somente funciona quando intermediado por José Magode Magwendere, outro membro da família. Essas cerimónias (missas) têm sido feitas no mês de Fevereiro ou em Dezembro, acrescentou.

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21.08.201Banco de Moçambique