Combate à malária: pulverização desacreditada em áreas urbanas

Texto de Francisco Alar

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A malária continua a ser a principal causa de ocupação de camas nos hospitais moçambicanos e de muitas mortes. De acordo com dados do Ministério da Saúde, no ano passado foram registados oito milhões e meio de casos de malária, que resultaram em 1114 óbitos.

Por sinal, grande parte dos esforços combinados para o combate a esta doença, nomeadamente, a distribuição de redes mosquiteiras e a pulverização intra-domiciliária não está a surtir os efeitos esperados.

As autoridades sanitárias acusam as famílias de não colaborar e de se tornarem criadoras de mosquitos, sobretudo na cidade de Maputo, onde não se acredita na eficácia da pulverização.

Dados facultados ao domingo, entretanto, indicam que apesar de o número de casos diagnosticados em 2017 ter subido em 13 por cento, em relação ao ano anterior, conseguiu-se reduzir o número de mortes em 34 por cento.

Maiores problemas nas zonas urbanas

Baltazar Candrinho, médico e director do Programa Nacional de Controlo da Malária, em conversa com domingo, em torno da ocorrência desta doença que persiste em consistir numa dor de cabeça para as autoridades da saúde e não só, observou que as pulverizações intra-domiciliárias redundam em fracasso, devido às recusas de cidadãos em receber os agentes.

Conforme anotou, isto sucede, sobretudo, nas zonas urbanas. Só para ilustrar, a taxa de cobertura da pulverização na cidade de Maputo foi de 53 por cento do total das casas encontradas, o que corresponde à protecção de apenas 52 por cento da população encontrada na capital do país.

Dos sete distritos municipais, o de KaMubukwana, que abrange bairros como 25 de Junho, George Dimitrov, Magoanine e Zimpeto, onde apenas 22 por cento das 73.510 casas previstas foram pulverizadas, o que representa uma taxa de protecção de apenas 21 por cento da população.

Na sua maioria, trata-se de casas cujas famílias se recusaram a abrir as portas.

Entretanto, há que ter em conta que “para se fazer uma pulverização é necessário remover todas as coisas das paredes e colocar no meio da sala ou quarto; cobrir e tirar alimentos para fora de casa. Algumas pessoas sentem preguiça de o fazer e vão recusando. Temos explicado que é bom porque permite arrumar novamente a casa e fazer uma limpeza geral. Mas, vale realçar que, felizmente, o mito de que a pulverização traz outros insectos já não é muito frequente”, disse Candrinho.

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