TECNOLOGIA DIGITAL: Crianças acedem cada vez mais cedo à internet

São muitos os pais que permitem que os seus filhos, de tenra idade, passem o dia inteiro agarrados ao telemóvel ou tablets. Fazem-no porque acreditam que as crianças de hoje são “muito inteligentes” e capazes de manejar dispositivos digitais e aceder à internet. Entretanto, vários perigos se ocultam neste gesto que muitos procuram associar à modernidade.

O último relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado The State of the World’s Children,lança um estridente alerta sobre os perigos que se eclipsam no gesto, aparentemente simples, de “emprestar” o telemóvel e tablet a um menor para ele fazer viagens pela internet.

Segundo o UNICEF, a internet torna as crianças e adolescentes, sobretudo aquelas que provêm de famílias vulneráveis, mais expostas a maus-tratos, actividade sexual, entre outros, pelo que recomenda a adopção de medidas redobradas de vigilância por parte dos pais e encarregados de educação.

Em termos numéricos, o organismo das Nações Unidas refere que “em todo o mundo, uma em cada três crianças e adolescentes com menos de 18 anos estão conectados e têm acesso à internet cada vez mais cedo. Em alguns países, crianças abaixo dos 15 anos de idade têm a mesma probabilidade de usar a internet que adultos de mais de 25 anos”.

Porque se trata de um fenómeno novo na sociedade, o fácil e rápido acesso aos aparelhos digitais de comunicação e informação fazem com que as crianças cultivem o hábito de se isolar no quarto (o UNICEF chama a isso de “cultura do quarto”) ou em outros lugares onde possam ter mais privacidade e menos, ou até nenhum, acompanhamento.

É justamente neste recolhimento que se esconde o perigo, uma vez que se multiplicam redes internacionais especializadas em assediar menores para se juntarem a grupos terroristas, consumo e tráfico de droga e armas, prostituição, pornografia, violência física, entre outros.

Entendidos na matéria defendem que se a criança ou adolescente já possui uma conta aberta numa rede social é inútil entrar em pânico. Aliás, é sabido que proibir o uso não educa e não previne, antes pelo contrário. O estabelecimento de regras e limites é o melhor remédio porque nem tudo é mau na internet, pois nela é possível aceder à informação, sites educativos, de diversão e de pesquisa.

Assim, o recomendável é dialogar sobre o que há de bom e mau neste ambiente e, simultaneamente, fazer um acompanhamento dos passos que o menor deve dar para evitar que este se coloque à mercê de estranhos.Um bom ponto de partida seria procurar dispositivos digitais que se adequem às crianças (porque existem) e estipular tempos para se assistir aos desenhos animados de modo a permitir que os menores se socializem e tomem contacto com o mundo real que os rodeia.

 

Um dos percalços que ocorrem quando se cede o telemóvel ou qualquer outro dispositivo electrónico a uma criança é a possibilidade de esta bloquear o aparelho ou deixá-lo cair. Mas também existe o risco de alterar as configurações de um ou mais aplicativos, ao tentar instalá-los.

Neste caso, o risco reside na possibilidade de se aceder a sites inapropriados para a idade da pequenada. Aliás, é por esta razão que especialistas insistem em recomendar que os pais e educadores estejam atentos ao manuseio dos dispositivos para garantir que estes não baixem nada que implique custos ou seja incompatível. 

Para além do acompanhamento, os familiares e pessoas próximas de crianças e adolescentes que tenham telemóveis e tablets devem saber que têm em mão o poder de restringir o acesso a determinados sites na internet.

Por exemplo, se a criança dispõe de um iPad, os pais podem clicar na opção “Ajustes”, depois em “Geral” e em “Restrições”. A seguir é só seleccionar a alternativa “Activar Restrições” para escolher quais as funções a que a criança terá acesso, como YouTube, Câmera, Safari, iTunes e muito mais.

“Se decidir dar acesso ao iTunes, também é possível bloquear filmes por idades na opção ‘Restrições’ dentro de ‘Ajustes’. Muito útil para quem possui filmes no iTunes”, referem entendidos na matéria.

No caso de aparelhos com o sistema operativo Android também é possível controlar o acesso a conteúdos feitos para os mais novos. Basta instalar o aplicativo “Kaspersky Parental Control” pela Google Play, abri-lo, aceitar os termos e tocar em “Next”.

“Será solicitada uma senha para escolher o que pode ou não ser bloqueado no painel de opções. Dessa forma, fica mais simples de controlar o que as crianças podem ter acesso no tablet ou smartphone”, referem.

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