TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES: Presidente da República preocupado

O Presidente da República está zangado com gestores de transporte público. Garantiu que o Estado vai intervir na busca de soluções para a crise de transporte, todavia deixou um aviso: “Não queremos deitar dinheiro em saco roto, para pingar no chão”.

Nyusi disse que está a par do sofrimento do povo. “A população está a sofrer. Gasta 30 meticais a fazer ligações. É muito dinheiro. Temos de encontrar soluções e envolver também outros operadores, incluindo do sector privado”, salientou.

Esta foi a frase mais repetida pelo estadista moçambicano quando, na passada quinta-feira, quis medir o pulso de principais módulos de transporte público no país, através de visitas ao Porto de Maputo, à LAM e à EMTPM.

Abordando estes três módulos, o Chefe de Estado referiu que o povo tem apresentado queixas relativas ao custo de transporte e qualidade de serviços prestados.

Sobre o transporte rodoviário em Maputo, admitiu que até ao momento “não estamos a conseguir resolver o problema” e tentativas de transporte marítimo redundaram em fracasso, “porque o modelo adoptado não foi o mais feliz”.

O transporte aéreo é abordado num texto a parte.

Nyusi defende que no transporte rodoviário, a penetração não tem sido satisfatória e encorajou a cabotagem. “O Governo está impaciente na criação da cabotagem, serviços de transporte marítimo”.

VISITA À EMTPM

A Empresa Municipal de Transportes Públicos de Maputo (EMTPM) tem uma frota de 117 autocarros, contudo apenas 50 prestam serviço público aos passageiros.

O Presidente da República não gostou do que viu. Encontrou autocarros fora de operação apenas porque não têm pneus ou baterias.

No fim da visita, Nyusi disse que “não se pode falar somente de carência, quando em causa está o transporte público de passageiros”. Explicou que urge uma restruturação profunda nas empresas transportadoras, “não olhando apenas para as pessoas”.

“Temos de saber o que queremos com transportes públicos urbanos”, afirmou o Presidente, realçando: “Agora estamos a afundar dinheiro”.

Na EMTPM, Nyusi encontrou mecânicos que disseram que não tinham trabalho, quando, em contrapartida, havia autocarros parados porque não tinham pneus.

“Estamos a enterrar os carros. Aquilo é um cemitério”, frisou.

Para o estadista, os problemas de transporte público urbano incidem, fundamentalmente, na incúria que se observa na gestão de frota em grande medida sem uma manutenção adequada.

Trata-se, segundo Nyusi, de uma incúria que se relaciona, também, com oportunismo de alguns trabalhadores das oficinas. “Alguns singulares vão comprar aqueles carros avariados e, dia seguinte, estarão a circular aqui na cidade”. 

E apontou o dedo: “Como agora os autocarros são de todos nós, ninguém se preocupa. Os mesmos mecânicos que se desleixam, reparam carros privados lá fora. Alguma coisa tem de ser feita”.

E deixou um TPC: “Deixo-vos um exercício para que, a curto prazo, autofinanciem o transporte urbano. Não podemos permitir que 40 autocarros fiquem parados por falta de pneus. Naquela frota parada, pelo menos 100 são reparáveis. É preciso melhorar a gestão de oficinas”.

“PONHAM FATO-MACACO”

O Presidente da República exige “clareza nas funções e tarefas” no Ministério dos Transportes e Comunicações, bem como a observância de mentalidade empresarial nas empresas de transporte público urbano. “Como tudo é nosso e o salário pinga, não há preocupação”, afirmou o estadista, ao mesmo tempo que impunha aos gestores do ministério o desafio de encontrar uma solução, a curto prazo, para a grave crise de transporte nas cidades de Maputo e Matola.

 

Nyusi foi directo: “Devem reduzir a atitude de chefia. Ponham fato-macaco, porque estão a prejudicar o país. Não senti esforço pela qualidade de trabalho”.

Criticou a falta de abertura do sector face à disponibilidade de investimentos do sector privado. “Vocês têm dificuldade de deixar a concorrência fluir. Não posso compreender como se fecham para que as coisas funcionem”, sublinhou.

Aludiu a experiências na região e no plano internacional onde a rede pública de transporte é alimentada conjuntamente pelo sector público e privado, no espírito de concorrência aberta. “Fecham o circuito e o resultado é que isto está a explodir”, frisou.

O estadista disse ainda que o Ministério dos Transportes e Comunicações continua a dificultar licenciamentos. “Bloqueamos outros operadores. Qual é o compromisso que temos com certas empresas para que sejam as únicas a trabalhar?”, questionou.

Vamos intervir na LAM

O Presidente da República assegurou que o Estado irá intervir brevemente na empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), onde ultimamente têm sido reportados problemas com a frota e relacionados ao atraso e disponibilidade de voos.

Presentemente, apenas oito aviões encontram-se em operação naquela transportadora de bandeira, numa combinação de frota da LAM e da MEX.

Nyusi disse ter constado, durante a sua visita à empresa, que a diversificação de marcas de aviões na frota da companhia pública não tem ajudado, pois nem todos os pilotos estão habilitados para trabalhar com a Boeing ou com a Embraer.

“Os pilotos não são suficientes. Por outro lado, o princípio de formação na LAM quebrou”,disse, acrescentando: “O fluxo de formação não é contínuo e isso paga-se caro. Não há reposição”. 

Abordou outras questões de gestão, sublinhando que 700 pessoas a prestar serviço de apoio na empresa é muito.

“Vamos intervir. Vamos quebrar o mito de que somos bandeira. Podemos negociar para a bandeira ser de qualidade. Caso não vamos rebentar”, rematou.

O estadista saudou o esforço empreendido na elaboração e aprovação da Lei de Aviação Civil e a criação da Autoridade Nacional de Aviação Civil.

Frisou que o espaço nacional é aberto, devendo ser liberalizado por forma a conferir facilidades para que mais operadores entrem. “Isso vai resolver problemas do povo”, ressalvou.

Vêm aí novos autocarros

Nyusi disse que cerca de 100 autocarros chegarão ao país em breve e outros 200 conhecerão agenciamento até final de ano em curso. Contudo, manifestou preocupação devido ao trabalho de manutenção.

“Os meios antes comprados não estão em operação pelo simples facto de não terem pneus e baterias. Se não encontram soluções mesmo quando se trata de questões básicas, o que podemos esperar?”,questionou.

O estadista foi mais longe: “Porque não reparam os autocarros? Ou o responsável não está em condições. Digam-nos”.

E acrescentou: “Podemos fazer como fazem no futebol. Substituir os jogadores”.

TRANSPORTE MARÍTIMO“Vocês são campeões

 

de projectos abandonados”

Nyusi foi particularmente crítico em relação ao transporte marítimo e à cabotagem, salientando, que o Ministério dos Transportes e Comunicações é campeão na elaboração de projectos mais tarde abandonados.

Falou de embarcações que não funcionam em todo o país, mas que custaram muito dinheiro. “Estamos a pagar dívidas de coisas que não funcionam”, disse, exigindo a responsabilização de gestores envoltos nas operações de agenciamento.

“Temos de ir aos ficheiros e averiguar para descobrir quem permitiu isso. Não podemos repetir esses erros. Quem são estes medíocres que estão a hipotecar a economia e a qualidade dos serviços?”,perguntou. 
Nyusi deu instruções para se acoplar a empresa Transmarítima aos serviços de cabotagem.

Texto de Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz

 

 

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